Domingo, 20 de setembro de 2026
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Serra Catarinense

Setembro Amarelo: Por ano, suicídios pelo mundo tiram o equivalente à população de um estado brasileiro

O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa acontece durante todo o ano.

Começou terça-feira (1) a campanha nacional do Setembro Amarelo®, que completa 13 anos no Brasil em 2026, e continua uma pauta urgente: mais de 720 mil pessoas cometem suicídio no mundo todos os anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). É como se, anualmente, todos os 738 mil habitantes do estado de Roraima desaparecessem. 

O suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Para entender esse cenário, uma pesquisa brasileira observou indicadores no início da vida que pudessem prever o risco de tentativas suicidas no futuro. Os principais fatores foram ser do sexo feminino, sofrer traumas na infância, ter um cuidador principal com histórico de comportamento suicida e apresentar transtornos mentais. O estudo foi publicado na The Lancet Regional Health – Americas. 

São 42 suicídios diários só no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. O número é questionado por entidades de saúde; suicídios são reconhecidamente subnotificados, seja por entraves burocráticos, mortes com “causas indeterminadas” que não são investigadas e pelo estigma social. A luta contra o preconceito para desestigmatizar esse assunto é um dos cernes da campanha do Setembro Amarelo®, uma iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 2013. 

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A inspiração veio dos EUA, onde um suicídio levou a um movimento nacional de prevenção, o Yellow Ribbon Suicide Prevention Program. Desde então, a ABP se dedica a ações de conscientização por todo o Brasil, levando a pauta para empresas, instituições de ensino, órgãos governamentais, organizações civis e às principais Casas Legislativas do país. 

São milhares de eventos, palestras e campanhas educativas para democratizar o diálogo sobre doenças mentais. Em 2026, para alertar a sociedade sobre a importância de prevenir o suicídio, a associação leva a iluminação amarela para diversos lugares do Brasil, como Rio de Janeiro (Cristo Redentor, Igreja da Penha, Arcos da Lapa e Monumento Estácio de Sá), Brasília (Senado e Congresso) e Belo Horizonte (Prefeitura e Praça da Estação). 

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Outro exemplo foi a produção de cartilhas segmentadas e gratuitas, que facilitam o acesso a informações científicas confiáveis e de qualidade, inclusive mostrando como e onde buscar ajuda. Para ter acesso aos materiais e saber mais sobre a Campanha Setembro Amarelo®, acesse: https://www.setembroamarelo.com/. Assim, as pessoas podem buscar ajuda profissional, tratar doenças mentais de modo adequado e evitar o suicídio. Por mais simbólico que seja o mês de setembro, isso pode ser prevenido o ano inteiro 

Fonte: Abp.org.br

A campanha 

Em 2013, Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP, deu notoriedade e colocou no calendário nacional a campanha internacional Setembro Amarelo®. E, desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM divulgam e conquistam parceiros no Brasil inteiro com essa linda campanha. 

​O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a iniciativa acontece durante todo o ano. Atualmente, o Setembro Amarelo® é a maior campanha anti estigma do mundo! Em 2024, o lema foi “Se precisar, peça ajuda!” e diversas ações já estão sendo desenvolvidas.

 Embora os números estejam diminuindo em todo o mundo, os países das Américas vão na contramão dessa tendência, com índices que não param de aumentar, segundo a OMS. Sabe-se que praticamente 100% de todos os casos de suicídio estavam relacionados às doenças mentais, principalmente não diagnosticadas ou tratadas incorretamente. Dessa forma, a maioria dos casos poderia ter sido evitada se esses pacientes tivessem acesso ao tratamento psiquiátrico e informações de qualidade. 

 Quando uma pessoa decide terminar com a sua vida, os seus pensamentos, sentimentos e ações apresentam-se muito restritivos, ou seja, ela pensa constantemente sobre o suicídio e é incapaz de perceber outras maneiras de enfrentar ou de sair do problema. Essas pessoas pensam rigidamente pela distorção que o sofrimento emocional impõe. 

 Se informar para aprender e ajudar o próximo é a melhor saída para lutar contra esse problema tão grave. É muito importante que as pessoas próximas saibam identificar que alguém está pensando em se matar e a ajude, tendo uma escuta ativa e sem julgamentos, mostrar que está disponível para ajudar e demonstrar empatia, mas principalmente levando-a ao médico psiquiatra, que vai saber como manejar a situação e salvar esse paciente.

 

Dados sobre suicídio

O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde - OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, malária ou câncer de mama - ou guerras e homicídios. 

Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a terceira causa e morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e violência interpessoal. Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades. 

​Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro de 2022, entre 2016 e 2021 houve um aumento de 49,3% nas taxas de mortalidade de adolescentes de 15 a 19 anos, chegando a 6,6 por 100 mil, e de 45% entre adolescentes de 10 a 14 anos, chegando a 1,33 por 100 mil.

As taxas variam entre países, regiões e entre homens e mulheres. No Brasil, 12,6% por cada 100 mil homens em comparação com 5,4% por cada 100 mil mulheres, morrem devido ao suicídio. As taxas entre os homens são geralmente mais altas em países de alta renda (16,6% por 100 mil). Para as mulheres, as taxas de suicídio mais altas são encontradas em países de baixa-média renda (7,1% por 100 mil).

Em países da Europa, houve um declínio nas taxas de suicídio e observou-se um aumento dessas taxas em países do Leste Asiático, América Central e América do Sul.

Embora alguns países tenham colocado a prevenção do suicídio no topo de suas agendas, muitos permanecem não comprometidos. Atualmente, apenas 38 países são conhecidos por terem uma estratégia nacional de prevenção do suicídio. 

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