Estudantes do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages, realizam nesta quinta-feira (27) uma mobilização para cobrar mais segurança no entorno do campus. O ato está marcado para as 17h20, na guarita de acesso à universidade, e foi organizado após uma série de relatos de mulheres que afirmam ter enfrentado situações de assédio, perseguição e ameaças nas proximidades da instituição.
A mobilização está sendo articulada principalmente por estudantes e integrantes do Coletivo Feminino do CAV, diante de reclamações que, segundo as organizadoras, têm se tornado frequentes. A reivindicação central é pelo reforço das rondas policiais e por medidas que aumentem a segurança de quem circula pelo campus e pelas ruas do entorno.
Um dos episódios que motivou a manifestação ocorreu nesta quinta-feira, quando, segundo relato encaminhado pelas estudantes, uma mulher teve a residência invadida na Rua Alberto Pasqualini. Conforme o relato, um homem em aparente estado de alteração teria entrado no imóvel. A moradora acionou a polícia e, ainda segundo as informações repassadas pelas estudantes, o suspeito foi encaminhado a uma unidade de saúde, de onde teria fugido posteriormente.
O caso é citado pelas organizadoras como exemplo da sensação de insegurança vivenciada por mulheres que moram ou circulam na região. As estudantes afirmam que já foram registrados boletins de ocorrência e realizadas reclamações relacionadas a episódios de assédio e perseguição.
Segurança também é pauta institucional
A mobilização ocorre em um contexto no qual a segurança das mulheres já vem sendo discutida dentro do CAV. O Coletivo Feminino do CAV foi criado em 2018 justamente a partir de relatos de assédio sofridos por acadêmicas no trajeto entre suas casas e a universidade, segundo registros da própria Udesc.
Em março deste ano, a Udesc Lages também promoveu uma entrevista sobre a atuação da Rede Catarina, programa da Polícia Militar voltado à prevenção da violência contra a mulher.
Agora, uma nova iniciativa está sendo articulada pelo Núcleo de Justiça Restaurativa de Lages e pela Diretoria de Extensão do CAV, em parceria com o 6º Batalhão da Polícia Militar. A proposta é levar ao campus uma atividade da Rede Catarina destinada a estudantes, professoras e servidoras.
A programação, prevista inicialmente para 1º de setembro, às 18h, deverá incluir uma orientação sobre os serviços oferecidos pela Rede Catarina, os canais que podem ser acionados em situações de violência e uma aula de defesa pessoal.
Pedido é por presença policial
Além das ações de orientação e prevenção, as estudantes defendem o aumento da presença policial no entorno do campus, especialmente nos horários de entrada e saída das atividades acadêmicas.
A Udesc já possui histórico de medidas voltadas à segurança interna. Em 2025, após ocorrências registradas no campus, a universidade informou ter ampliado o número de câmeras de vigilância e adotado novos modelos de iluminação.
A instituição também mantém estrutura própria de vigilância e monitoramento no campus. Documentos institucionais registram a existência de postos de vigilância e rondas internas.
Para as estudantes que participam da mobilização desta quinta-feira, entretanto, a preocupação ultrapassa os limites físicos da universidade. O objetivo é chamar a atenção para a segurança também nos trajetos utilizados diariamente por mulheres que estudam e trabalham no CAV.
A manifestação está aberta à participação de estudantes, servidoras, professores e demais integrantes da comunidade acadêmica. As organizadoras esperam que o ato contribua para ampliar o diálogo com as autoridades e resulte em medidas concretas de prevenção e proteção.
Em 2018, crimes já foram denunciados
Em março de 2018 as acadêmicas do CAV já chamaram a atenção para o problema, que foi amplamente relatado pelo Jornal Correio Lageano. Na época, a campanha Chega de Assédio tomou mais força após uma estudante ser assediada nos arredores do campus, às 7h50 da manhã. Segundo relato da jovem, ela se abaixou para amarrar o tênis e um homem avançou nela, com as calças abaixadas e genitálias para fora.
A reportagem diz que, mesmo com medo, a jovem conseguiu fugir. Após tornar público o seu depoimento, outras estudantes também contaram histórias parecidas, sobre a falta de segurança ao redor da universidade.
Naquele ano, na página da manifestação no Facebook, os organizadores revelaram que diariamente, ao menos uma estudante era assediada no entorno do campus.
O ano também marcou a união das estudantes para criar um Coletivo Feminino na universidade.
Serviço
O quê: Mobilização por mais segurança no entorno do CAV/Udesc
Quando: quinta-feira (27), às 17h20
Onde: guarita de acesso ao CAV/Udesc, em Lages.






