Domingo, 20 de setembro de 2026
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Serra Catarinense

Engenharia para meninas: projeto da UDESC leva referências reais e oficinas práticas às escolas municipais de Lages

Iniciativa vinculada à Udesc aproxima estudantes da rede municipal das engenharias por meio de oficinas práticas, referências femininas e ações de conscientização social.

Por Geyce Krieser

Um projeto inovador está transformando o olhar de jovens estudantes sobre o universo das exatas e o papel da mulher na sociedade. O projeto "Meninas nas Engenharias", coordenado por professora Daiana Petry Rufato no âmbito da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages, promove ações práticas, palestras motivacionais e oficinas educativas em escolas municipais através dos professores do projeto: Aline Cristina da Silva Ribeiro Delfes, Liliane Cardoso, Regine dos Santos e Marília Raquel Marion

Para aproximar as alunas de referências reais e desmistificar a profissão, o projeto promoveu palestras com a Engenheira Civil Marina Liz Pereira, que também atua como Diretora de Articulação de Políticas Públicas e Enfrentamento à Violência contra a Mulher. Em encontros realizados na EMEB Santa Helena, Marina compartilhou os desafios de sua carreira e incentivou as estudantes a buscarem seus sonhos em áreas historicamente masculinas. 

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Outro destaque da iniciativa foi a realização de uma oficina prática de construção de teodolito caseiro na EMEB Fausta Rath, em parceria com a professora regente Rúbia Knoll, utilizando materiais simples para compreender conceitos de trigonometria e realizar medições indiretas de estruturas da escola, como uma cesta de basquete e paredes do ginásio.

Também a experiência da professora Marília Raquel Marion, de Matemática, na 10ª Feira das Invenções da EEB Rubens de Arruda Ramos, em Lages, na mostra como a aproximação com as Ciências Exatas pode começar ainda na Educação Básica. No evento, realizado em julho, estudantes desenvolveram protótipos e soluções sustentáveis, com orientação interdisciplinar e aplicação de conhecimentos de Matemática, Engenharia e tecnologia.

Marília destaca especialmente o protagonismo das alunas, que lideraram projetos e assumiram a criação e o desenvolvimento técnico das soluções, evidenciando o potencial das meninas para as áreas de Engenharia e Ciências Exatas. A proposta é transformar conceitos que muitas vezes parecem abstratos em experiências concretas, despertando a curiosidade e mostrando que matemática, engenharia e tecnologia podem fazer parte do cotidiano.

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Projeto também atua na construção de referências de mulheres inspiradoras

Um levantamento realizado pelos professores do Projeto Meninas nas Engenharias com 68 alunas do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental em forma de pesquisa, revelou dados expressivos sobre a percepção das estudantes. Os dados ajudam a explicar a importância de apresentar às estudantes não apenas conteúdos, mas também pessoas, experiências e possibilidades concretas de futuro.

Percepções das alunas sobre mulheres engenheiras

•          Falta de representatividade: Quase 80% das alunas (79,4%) afirmaram não conhecer nenhuma mulher que seja engenheira.

•          Desconhecimento prático: Mais de 60% das estudantes relataram ter pouca ou nenhuma ideia do que um profissional da engenharia faz no seu dia a dia.

•          Potencial de engajamento: Apesar das dúvidas, 63,3% das jovens não descartam seguir a carreira (sendo que 47,1% responderam "talvez" e 16,2% disseram "sim"). Além disso, 59,7% afirmaram que se sentiriam mais motivadas a aprender engenharia em grupos formados exclusivamente por meninas.

Engenharia também é lugar de mulher

Uma das estratégias utilizadas pelo projeto é aproximar as estudantes de profissionais que possam funcionar como referências reais.

Entre as convidadas está a engenheira civil Marina Liz Pereira, que também atua na área de políticas públicas e enfrentamento à violência contra a mulher. Em encontros realizados nas escolas, ela compartilhou experiências de sua trajetória profissional e conversou com as estudantes sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em áreas historicamente ocupadas majoritariamente por homens.

A experiência se conecta à própria proposta do Meninas nas Engenharias, iniciativa vinculada ao Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da UDESC e desenvolvida no Laboratório de Soluções Baseadas em Tecnologia (LATEC), com financiamento do CNPq.

O projeto busca aproximar meninas da rede pública das áreas de Ciências Exatas, Engenharia, Computação, tecnologia, inovação e sustentabilidade.

Criado em 2024, o projeto ganhou força ao longo de 2025, quando realizou oficinas, visitas técnicas, atividades de formação e experiências relacionadas à tecnologia. A primeira turma reuniu 30 estudantes e foi concluída em dezembro daquele ano. Em 2026, a iniciativa entrou em uma nova etapa que está em desenvolvimento no LATEC.

Quando uma menina passa a enxergar a universidade, a ciência, a engenharia e a tecnologia como possibilidades reais, começa também a mudar a ideia sobre o lugar que ela pode ocupar no mundo.

Daiana Petry Rufato.

O dia 25 como espaço de conscientização

Alinhado ao calendário municipal que reserva o dia 25 de cada mês para ações de combate à violência contra meninas e mulheres, o projeto realizou oficinas de intervenção social na EMEB Nossa Senhora dos Prazeres.

Sob a condução da engenheira Marina Liz Pereira, os alunos participaram de debates reflexivos sobre a prevenção da violência de gênero, identificação de sinais de risco, os caminhos para buscar ajuda e denunciar situações de violência. A ação reforçou valores como empatia, cidadania e respeito dentro do ambiente escolar.

Ao final, os estudantes transformaram a reflexão em uma produção coletiva: cartazes e um mural foram confeccionados e expostos na escola, fazendo com que a discussão permanecesse visível também depois da atividade.

A proposta aproxima dois temas que, à primeira vista, poderiam parecer distantes: engenharia e enfrentamento à violência contra a mulher. Na prática, porém, ambos fazem parte de uma mesma perspectiva de formação: ampliar oportunidades, estimular o protagonismo feminino e construir ambientes em que meninas possam ocupar diferentes espaços com conhecimento, autonomia e segurança.

Da escola para a universidade

O Meninas nas Engenharias, também conhecido como AgroEngTech, é desenvolvido pelo Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da UDESC, por meio do Laboratório de Soluções Baseadas em Tecnologia (LATEC), com financiamento do CNPq.  Incentiva a participação feminina nas áreas de Ciências Exatas, Engenharias e Computação por meio de oficinas, projetos práticos, visitas técnicas, capacitações e aproximação com profissionais e empresas. Entre as atividades desenvolvidas estão módulos de eletrônica, programação, drones, visão computacional, gestão agrícola e jogos educativos.

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