Lizzi Borges/Sebrae/SC/Regional Serra
Lages está concluindo os Planos Municipais de Saneamento Básico e de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, que reúnem 49 subprogramas e 317 ações para o período de 2027 a 2046. Elaborados pela consultoria Biocald, com apoio do Sebrae/SC para a Secretaria Municipal de Águas e Saneamento (SEMASA), os documentos estimam investimentos de R$ 1,30 bilhão ao longo de 20 anos, em valores de agosto de 2026.
As propostas foram apresentadas à comunidade em audiência pública realizada em 22 de outubro, na Câmara de Vereadores de Lages. A consultoria fará os ajustes finais antes da entrega oficial à SEMASA e do encaminhamento para aprovação por lei municipal.
Iniciado em 2025, o trabalho integra o programa Cidade Empreendedora. A contribuição do Sebrae/SC, por meio da consultoria executora, abrange o diagnóstico dos serviços de água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem, incluindo o saneamento rural. Contempla também a avaliação das metas anteriores, projeções para os próximos 20 anos, definição de ações, estimativas de investimento e medidas para situações de emergência.

Para o SEBRAE/SC, investir em saneamento também é fortalecer o ambiente de negócios. Uma infraestrutura adequada favorece as empresas locais, atrai investimentos e abre oportunidades para novos empreendimentos”AUTOR: Altenir Agostini, gerente regional do Sebrae/SC na Serra Catarinense.
Esgoto, drenagem e abastecimento
Conforme o diagnóstico, a coleta de esgoto atende 39,1% da população de Lages. A meta é ampliar a cobertura para 90% até 2033. Entre as primeiras medidas previstas está a entrada em operação do terceiro módulo da Estação de Tratamento de Esgoto Caça e Tiro.
Na drenagem urbana, as propostas incluem a elaboração do Plano Diretor de Drenagem, instrumento que o município ainda não possui, e o cadastro da rede existente. Essas medidas deverão orientar intervenções em áreas com alagamentos recorrentes, como a Avenida Brasil e o entorno dos rios Carahá e Ponte Grande.
Como o abastecimento depende de um único manancial, o Rio Caveiras, o planejamento prevê a proteção dessa fonte, o licenciamento de uma alternativa de captação, a redução das perdas na rede e a implantação do Plano de Segurança da Água.
Do investimento total estimado, aproximadamente R$ 345 milhões correspondem ao período de 2027 a 2029. Os valores são referências de planejamento, calculadas a partir de parâmetros por habitante, e não representam recursos assegurados nem orçamentos definitivos de obras.
Reciclagem e oportunidades para a economia local
Na gestão de resíduos, estão previstas melhorias nos galpões de triagem, participação prioritária da cooperativa na coleta seletiva, inclusão de catadores informais, assessoria técnica e administrativa e apoio à comercialização dos materiais.
Segundo o diagnóstico, cerca de 11 mil toneladas de materiais recicláveis são encaminhadas ao aterro anualmente, com valor potencial de comercialização entre R$ 13,7 milhões e R$ 15,1 milhões. A recuperação desses materiais pode reduzir o descarte e ampliar a geração de renda.
A meta é levar a coleta seletiva a 72,6% da população urbana em 2033 e alcançar 100% da população em 2040. As ações incluem ainda a regulamentação e a fiscalização dos grandes geradores, com exigência de planos de gerenciamento de resíduos, articulação com sistemas de logística reversa de embalagens e adoção de critérios de sustentabilidade nas compras públicas.
Dados do Sebrae incorporados aos documentos mostram que 93,42% das 2.326 indústrias ativas em Lages são micro e pequenas empresas. A melhoria da infraestrutura contribui para o funcionamento desses empreendimentos, enquanto a reciclagem pode abrir oportunidades em serviços, reaproveitamento e comercialização de materiais.
Execução e acompanhamento
Após a aprovação, a implementação será coordenada pela SEMASA, com participação das secretarias responsáveis pelas ações. O acompanhamento contará com 50 indicadores e relatórios preferencialmente anuais.
“Estamos comprometidos em atuar de forma integrada com as demais secretarias municipais para que possamos alcançar as metas estabelecidas nos planos. O objetivo é transformar esse planejamento em ações concretas, garantindo avanços na qualidade dos serviços e fazendo com que o saneamento em Lages seja cada vez melhor, mais eficiente e capaz de atender às necessidades da população”, afirma Paula Cristina Pinheiro Granzotto, diretora-presidente da SEMASA.
O controle social caberá ao Conselho Municipal de Saneamento, com representação paritária do poder público e da sociedade. A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (ARIS) ficará responsável pela fiscalização regulatória de água e esgoto, enquanto resíduos e drenagem terão fiscalização municipal.
Os planos preveem revisões a cada quatro anos, antes da elaboração do Plano Plurianual, para atualizar prioridades e orientar sua articulação com o orçamento do município.




