Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Mauro Maciel

Presidente da Amures: Para Fernanda Córdova não há desenvolvimento sem infraestrutura

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Presidente da Amures: Para Fernanda Córdova não há desenvolvimento sem infraestrutura

Este ano, a prefeita de Palmeira, Fernanda Córdova, é a presidente da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), cargo até então ocupado por Tito Freitas, prefeito de Capão Alto. Questionada sobre as principais necessidades da Serra Catarinense, Fernanda aponta a infraestrutura como a principal delas. Faltam rodovias, estradas, pontes e internet no meio rural, comunicação necessária para quem reside no campo, para a agricultura e principalmente para o turismo. A implantação da usina de asfalto facilitará a pavimentação de estradas, mas a implantação da internet depende da atuação de parlamentares junto às operadoras.

Ela é a segunda mulher a presidir a Amures, em 54 anos de existência da entidade. Com apenas 39 anos, Fernanda Córdova, também é uma das lideranças políticas mais jovens no comando da entidade. Ao todo, a Amures já teve 56 mandatários entre prefeitos eleitos e reeleitos e apenas Marta Regina Goss, ex-prefeita de Bocaina do Sul, havia presidido a associação em 2009.

sua opinião, qual é a principal necessidade da Serra Catarinense?

Fernanda Córdova_ Penso que o grande desafio da Serra Catarinense é a infraestrutura. Nossos municípios, de forma geral, ainda carecem de uma malha viária com melhores condições de trafegabilidade, de pontes que liguem as comunidades e permitam o desenvolvimento das microrregiões. Um dos principais gargalos da região é a grande extensão rodoviária, e manter as vias em boas condições não é fácil para os prefeitos. Nesta mesma esteira das distâncias, temos uma grande necessidade de comunicação. Levar internet à toda região é uma estratégia de desenvolvimento. Temos de perseguir essa meta, enquanto gestores. É ela que permitirá levar os serviços de saúde, por exemplo, através da telemedicina nas mais longínquas comunidades. Será suporte importante para o turismo, à educação, o agronegócio e todas as áreas produtivas. Ninguém mais vive no interior sem internet.

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De que forma a Amures pode atuar para atender essa necessidade?

No quesito infraestrutura rodoviária, estamos implantando uma usina de asfalto através do Consórcio Intermunicipal Serra Catarinense - Cisama. O governo do Estado transferiu R$ 9,6 milhões ao Cisama e neste início de ano, será licitada a compra dos equipamentos para implantar a usina. Poderemos levar asfalto aos municípios e interior com economia de até 40%.

Já a comunicação, não depende diretamente do prefeito. Mas pretendemos mobilizar os parlamentares que nos representam, para juntos pressionarmos as operadoras a uma cobertura mais ampla na região. Construir parceria e abrir caminhos para resolvermos essa demanda. O censo do IBGE deste ano nos dará mais clareza dos vazios que poderemos trabalhar, de forma conjunta, com os prefeitos. Uma das maiores características do grupo de prefeitos desta gestão é, exatamente, o trabalho em parcerias e tem surtido bons resultados.

Historicamente, o PIB da Serra é um dos menores de Santa Catarina. Essa situação já está mudando ou o processo de litoralização continua?

Nosso PIB só irá mudar de fato, com a atração de investimentos nos municípios. Como a Berneck em Lages. Ela está instalada em Lages, mas tem ramificação econômica em praticamente todos os municípios, com florestas e atividades que movimentam as micro economias locais. É isso que precisamos, irradiar o movimento econômico em toda Serra Catarinense, para repercutir em números que puxem para cima o PIB. Já a litoralização continua. E a única forma de combatê-la é com desenvolvimento e oportunidade às pessoas.

Como a senhora analisa o avanço no setor de turismo e principalmente a criação de rotas para o turismo integrado, a exemplo da rota cervejeira?

O setor do turismo é uma das vertentes de desenvolvimento da Serra Catarinense. Nós gestores públicos temos de fazer nossa parte e isso ficou muito claro no Natal passado. Em praticamente todos os municípios, a decoração e a programação encantaram. Vimos que as pessoas se sentiram parte daquilo e a autoestima delas se elevou. O turismo é privado e depende quase que 100% dos empreendedores. Mas nós gestores temos um quinhão nesse processo, que depende de nós. Não tenho dúvidas de que o turismo será a bola da vez no desenvolvimento da economia regional.

Já estamos vendo nascer Rotas Turísticas, como a Cervejeira e a da Coxilha Rica que serão um marco nesse processo. O turismo da Serra Catarinense, não tem mais volta, só temos de monitorar para que seja uma atividade econômica sustentável, feita por pessoas comprometidas e não aventureiras sem o compromisso com o social.

Como a senhora prevê o futuro da região?

Somos a última fronteira não explorada economicamente, em comparação com outras regiões do Estado. A Coxilha Rica, por exemplo, está sendo descoberta pelo agronegócio não faz muito tempo. Diziam que lá as terras não eram boas para lavouras e, hoje, vemos exatamente o contrário. Os maiores empreendimentos turísticos da região são empresários de fora, por que? Porque sabem que aqui, Deus nos privilegiou com a natureza exuberante. Grande grupos e empreendedores estão de olho na região, atraídos pelo potencial econômico, natural e paisagístico. Sabemos de tudo isso. Só temos de ter cuidado para não deixar nossos nativos, que cuidaram tão bem desta região, fora dos benefícios econômicos. Logo, o futuro desta região é mais que animador e dependerá de nós, dizer como e onde pretendemos estar amanhã.

Foto: Fernanda Córdova 2

Crédito: Marcela Ramos

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