Luiz Eduardo dos Santos Pinto é sobrinho de Adir Moisés dos Santos Conrado e estava com ele na noite de 15 de setembro, quando Adir foi atropelado e morto por um veículo Renault Kwid, que invadiu o acostamento da BR-116, nas proximidades da praça de pedágio de Correia Pinto. Há pouco mais de um mês do acidente, ainda consternado, Luiz revela detalhes e não esconde a indignação, principalmente porque teme que o autor sequer cumpra pena de prisão e apenas perca o direito de dirigir.
O inquérito policial que apura o caso já foi concluído pela Polícia Civil de Correia Pinto. No fórum da cidade, a informação é que o processo corre em segredo de Justiça e nada pode ser revelado. Desta forma, não se sabe o nome do motorista ou mesmo se ele já foi indiciado por homicídio, como previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro.
Folha da Serra_ Naquela noite, quando ocorreu o acidente, vocês estavam indo ou voltando e qual era o destino?
Luiz Eduardo_ Nós estávamos indo em direção ao pedágio. É um trajeto curto que ele gostava de fazer. Era por volta das 20h30 e a gente já estava bem perto da praça de pedágio. A intenção era chegar até ali e voltar para Lages, um trajeto de 1h15min.
Você estava próximo de seu tio?
Estava bem próximo. Éramos quatro ciclistas. Eu e os outros colegas estávamos no acostamento do lado direito da pista, aguardando a passagem de um caminhão para atravessar. Ele atravessou um pouco antes, porque o acesso à estrutura do pedágio é pela esquerda.
Chegou a ver o carro se aproximando?
Estava com a cabeça um pouco baixa, fazendo força porque alí é uma subida. Ouvi um barulho forte, olhei e vi umas faíscas. Nosso colega, o Adriano, que estava um pouco mais atrás disse que o Adir tinha sido atropelado e nós fomos até o local.
Qual é o seu sentimento em saber que a pessoa que causou o acidente fugiu sem prestar socorro?
É um sentimento de indignação. A pessoa quando bebe e vai dirigir assume o risco de atropelar alguém. Ainda mais na rodovia, fazendo racha. Ele parou bem longe e tentou fugir com o carro. Não conseguiu e pegou carona em outro veículo. Em nenhum momento ameaçamos ele. Ele nem chegou perto. Nossa preocupação era com a vítima.
A Justiça é falha. A vida do nosso tio não vai voltar, mas ele matou uma pessoa e precisa ficar um bom tempo preso. Pode até escapar da justiça do homem, mas não dá divina. Um dia ele vai pagar. O que ele fez é inaceitável. Pelo que entendi, vai ser preso só se comprovarem que estava fazendo racha, caso contrário, nem vai para a prisão só perderá o direito de dirigir. É pouco para quem bebeu e matou uma pessoa.
Vocês, da família, foram informados sobre os detalhes da investigação, a exemplo do nome do autor?
Demorou bastante para recebermos alguma informação sobre o autor. Quando fui depor o delegado disse que ele (o autor) também tinha ido.
Quem era Adir? O que fazia?
Não é porque aconteceu isso, mas meu tio era uma pessoa gente boa, quem o conhecia sabe disso. Gostava de contar histórias e fazer amigos. Era honesto e trabalhador. Só trabalhava e andava de bike. Uma pessoa muito do certo, um bom pai de família, deixou uma menina de sete anos. Eu tenho 32 anos e convivia muito com ele. Era o meu melhor amigo.
Ele tinha uma auto elétrica em casa, mas tinha o sonho de entrar para a Polícia Civil, tanto que a gente estava pedalando para ele melhorar a forma física.
Como está lidando com sua ausência?
É um sentimento que não desejo para ninguém. Parece mentira. É muito ruim. A gente conversava todos os dias. É uma ausência...uma saudade que nunca vai passar. Um sentimento muito complicado.
Depois do ocorrido, você conseguiu voltar a pedalar na rodovia?
A bicicleta está guardada. Não consegui mais pedalar. Pra lá não pretendo mais voltar. Como presenciei não consigo esquecer?
Sei que é uma coisa que a gente gostava de fazer. Fazia um ano que ele tinha comprado a bicicleta. É uma coisa que trás boas lembranças, mas também do acidente. Estou com medo de pedalar...






