Certamente, no auge dos seus 83 anos de idade, Dilma Jovita Ghiorzi dos Santos é uma das pessoas de Santa Catarina que há mais tempo trabalha com carteira assinada. Longos 66 anos se passaram desde que foi contratada pela extinta empresa Comércio de Automóveis João Buatim. Questionada sobre a saúde, diz que tem alguns problemas na mão, fruto do trabalho no computador, mas enquanto a cabeça for boa, nem cogita parar.
Dona Dilma, como é conhecida, recorda que antes de ter sua carteira assinada, trabalhou por quase dois anos na Livraria Pérola. "Tinha me formado no ensino médio e fazia um pouco de tudo na papelaria. Foi o meu primeiro emprego."
Em 1956, a empresa João Buatim funcionava na Rua Marechal Deodoro, onde atualmente está o Myatã. Com uma memória surpreendente, Dilma comenta que morava no Bairro São Cristóvão e fazia quatro deslocamentos a pé, todos os dias. Na época, não havia transporte coletivo regular. Ela comenta que sempre gostou de caminhar e não ligava de ir a pé. Atualmente mora no Centro, perto do trabalho, mas faz caminhadas como forma de exercitar o corpo.
A mente ela exercita no próprio trabalho. Desde que teve sua carteira assinada, trabalha com contabilidade. Acompanhou todas as atualizações da profissão, inclusive a inserção do computador. Somente no atual escritório, na Uno Serviços Contábeis, está há 25 anos.
Em sua trajetória lamenta ter que parar de estudar quando casou. Recorda que na época era difícil uma mulher casada estudar à noite. Esta união gerou quatro filhos. "Com o tempo me separei e fui morar em Goiânia, mas trabalhava na mesma empresa de Lages e na mesma função. Quando voltei, realizei o sonho de me formar em técnica em contabilidade. Me formei junto com a minha filha mais nova."
Por infelicidade, Dona Dilma perdeu dois dos seus quatro filhos. Lamenta a perda, mas diz que na vida tudo tem um porquê e que possui uma família linda com uma filha, um filho, duas netas e uma bisneta. "Todos me apoiam muito. Sabem que não quero parar de trabalhar, apesar de estar aposentada há 30 anos. Trabalhar é conhecer pessoas, é liberdade."
Hobby
Dona Dilma diz que é leitora contumaz. Gosta muito de livros e jornais. Lê o Folha da Serra e o Zero Hora. Como não consegue comprar o jornal gaúcho na banca, uma sobrinha que reside em Porto Alegre, reúne os exemplares e os traz para ela.






