O medo de ser atropelado é preocupação constante para Wagner Valga. Ele reside há 40 anos nas proximidades da Rua Campos Salles, em Lages e, com frequência, atravessa a pé a BR-282. Avalia que o risco maior é logo depois das 18 horas, quando o fluxo de veículos é muito grande e já está escuro. Ele é apenas uma das pessoas que serão beneficiadas com a construção de uma passarela naquele ponto da rodovia, projeto que foi aprovado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e deve ser colocado em prática em alguns dias.
Wagner acompanha o processo de instalação das passarelas. Afirma que a da Campos Salles será um pouco antes da lombada eletrônica. É que os acessos exigem uma área extensa e não podem obstruir as ruas. "Espero que seja construída logo. O movimento aumentou muito depois que a rodovia foi pavimentada entre São José do Cerrito e Campos Novos." Para ele, quando chove a situação é ainda pior. Os pedestres aguardam ao lado da pista e ficam encharcados com a água projetada pelos caminhões.
O chefe da unidade do DNIT em Lages, Enio Jacobos Spieker, confirma que o Dnit aprovou a instalação da passarela metálica sobre a BR-282, na altura da Rua Campos Salles, apesar de ainda não ter feito a comunicação oficial. "A empresa Zanco Construtora Ltda, enviou o projeto para análise e foi aprovado. Logo deve ser instalada, já que parte da estrutura já está pronta na sede da empresa e só precisa ser transportada para Lages."
Essa será a quarta passarela instalada sobre a BR-282. A primeira implantada foi a da Localidade de Índios, a segunda no Bairro Bates e a terceira entre os bairros São Francisco e São Paulo. A última será entre os bairros Frei Rogério e Passo Fundo, mas não tem data para ser construída.
Essas duas últimas, a da Campos Salles e do Frei Rogério, atrasaram em função, principalmente, da necessidade de desapropriações de áreas às margens da rodovia, para a instalação dos acessos à passarela. Essa etapa também já foi vencida, afirma Enio Jacobos Spieker, do Dnit.
Carmen Zanotto cobra agilidade em Brasília
A instalação das passarelas é discutida desde 2014. O projeto de duplicação da BR-282, em Lages, não previa essas estruturas. Desde então, vários atropelamentos foram registrados na região. A busca pela solução vem do período em que Carmen Zanotto exercia o mandato de suplente. Em maio de 2014, aconteceu uma audiência pública na Acil com a bancada de parlamentares catarinenses, Ministério Público Federal, Fórum de entidades, associações de moradores e o presidente do Dnit-SC, Vissilar Pretto, que estava tomando posse no cargo.
Ainda em outubro de 2014, a parlamentar solicitou ao coordenador da Bancada de Santa Catarina na Câmara Federal, a inclusão da Emenda Parlamentar de Bancada para a construção de passarelas sobre a pista da BR 282, onde quatro seriam instaladas entre o trecho de Bom Retiro e Campos Novos, no orçamento de 2015. Porém a emenda não foi atendida.
Depois de muitas reuniões entre 2014 e 2015, Carmen Zanotto conseguiu a aprovação do Dnit e também o aporte de recursos junto ao Ministério da Defesa. Desde então acompanha a execução das obras e cobra agilidade em Brasília. Em relação a unidade da Rua Campos Salles, explica que o Dnit pediu ajustes no projeto, fator que atrasou a execução. A previsão era para que as obras começassem em fevereiro, fato que não ocorreu.

Histórico
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Regional de Santa Catarina, promoveu no dia 17 de abril de 2017, ato de assinatura e entrega da Ordem de Serviço para a elaboração dos projetos e construção das passarelas de pedestres na BR-282, trecho urbano de Lages.
A obra foi licitada sob o regime de contratação integrada (RDCI - Edital 313/2017-16). A empresa Zanco Construtora Ltda., vencedora da licitação, é a responsável pela elaboração dos projetos básico/executivo e da construção das cinco passarelas previstas. O valor total da obra é de R$ 5.729.000,00
De acordo com o cronograma, a empresa tinha até 6 meses para a elaboração dos projetos e, a partir deste prazo, 360 dias para conclusão das passarelas. Ou seja, as obras deveriam ser concluídas até outubro de 2018, prazo que já estourou em mais de dois anos.






