Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Mauro Maciel

Os desafios são grandes para o retorno dos alunos às salas de aula

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Os desafios são grandes para o retorno dos alunos às salas de aula

Alunos da rede estadual de ensino de Santa Catarina, que não apresentam comorbidades e não fazem parte do grupo de risco, devem retomar as aulas presenciais até o final deste mês. A medida atende o que estabelece a Portaria 2154 de 26/08/2021. Mas cumprir essa determinação não é tarefa fácil. Além de medir a temperatura, cobrar o uso de álcool gel e máscaras, as escolas passarão por uma verdadeira revolução operacional visando evitar aglomerações e, por consequência, a propagação do vírus.

A própria portaria editada pelo Governo do Estado deixa brechas que geram dúvidas. Tanto que nesta semana gestores estiveram reunidos em Florianópolis para discutir o assunto. Maria de Fátima Ogliari é a responsável pela Coordenadoria Regional de Educação de Lages e também participou das discussões.

O retorno para a escola iniciou neste mês de forma escalonada. "Até 15 de setembro fizemos a migração das séries iniciais, do 1º ao 5º ano. Os alunos que não tem comorbidades voltaram 100% presencial. Alunos do 6º ao 9º ano e do ensino médio retornam até o final deste mês," explica o consultor educacional da Regional de Educação, Humberto Aloízio de Oliveira.

Alunos que por ventura estão no grupo de risco, em função de comorbidades, continuarão a ter aulas remotas. Desta forma, somente no final do mês é que o número de estudantes nas escolas será conhecido. Estimativa da regional é que 25 mil alunos voltarão para as 44 escolas distribuídas nos 12 municípios da regional. É que Lages não atende os municípios de Rio Rufino, Bom Retiro, Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici e São Joaquim, que são de responsabilidade da regional de São Joaquim. Mesmo assim, a estratégia é a mesma para todas as escolas catarinenses.

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Cuidados especiais

A atenção para evitar a contaminação com o coronavírus começa no transporte dos alunos, principalmente daqueles que utilizam o transporte escolar oferecido pelos municípios. Na escola, todos os alunos terão a temperatura aferida ao chegar, e serão orientados a utilizar álcool em gel e máscaras faciais.

A alimentação requer cuidados especiais evitando-se as aglomerações e as escolas adotarão vários horários de pausa durante o dia. Os alunos serão divididos em turmas pequenas, onde o risco de propagação do vírus é menor.

Nas salas, a portaria estabelece distanciamento. Assim, cada escola deve utilizar o seu PlanCon Edu (Plano de Contingência da Educação para a Covid-19) para medir salas de aula e verificar se será possível manter o distanciamento com o retorno das aulas. Cabe também ao PlanCon analisar outras estruturas como janelas e portas. "Temos um grupo de engenheiros que auxilia neste trabalho," informa Humberto.

Caso não haja condições de segurança para acomodar todos os alunos, a alternativa será recorrer ao sistema híbrido. As turmas serão divididas. Em uma semana, metade estuda na escola e a outra em casa. Depois a que estava em casa volta para a escola e vice-versa. Mas Humberto comenta que esse será o último recurso adotado, já que a intenção é manter todos em sala de aula.

Reposição de aulas perdidas

Além de receber os alunos, as escolas terão outros desafios este ano. Em outubro, a meta é repor 31 dias de aula para completar as 800 horas do ano letivo ou o total de 200 dias letivos. As aulas serão no contraturno e de forma remota.

Humberto Aloízio de Oliveira recorda que em março de 2020 as aulas foram suspensas em função da pandemia. A rede escolar demorou mais de 30 dias para se adequar à nova realidade, o que gerou um buraco no processo educacional que precisa ser preenchido.

Em novembro e meados de dezembro a meta é outra. As escolas oferecerão apoio pedagógico para recuperar os prejuízos causados pelo distanciamento entre alunos e professores e entre os próprios alunos. A falta de interação prejudicou o aprendizado. Os Conselhos de Classe das escolas farão a avaliação individual dos alunos apontando que necessita deste apoio. A exemplo da reposição de aulas, o apoio pedagógico também será no contraturno e de forma remota.

Uma das situações não previstas na portaria do governo do estado é sobre os alunos matriculados nos períodos matutino e vespertino e que começaram a trabalhar durante a pandemia para ajudar na renda familiar. Como voltarão para as salas de aula e ainda terão tempo no contraturno para repor aulas?

Aulas na TV como apoio pedagógico

A portaria nº 2154/21 estabelece também as ações instituídas pela SED para oferecer apoio pedagógico e preencher lacunas no ensino causadas pela pandemia. A principal iniciativa promovida pela secretaria são os canais Educa SC, que transmitem aulas o dia inteiro na TV aberta e estão em sua terceira semana no ar.

Segundo o documento, as aulas na TV devem ser incluídas como estratégia adicional na oferta de apoio pedagógico. Os professores responsáveis pela ação vão planejar aulas, atividades e plantões tira-dúvidas considerando os conteúdos transmitidos no Educa SC. Devem ser encaminhados ao apoio pedagógico os estudantes que não realizaram nenhuma atividade durante o primeiro semestre ou apresentaram dificuldades de aprendizado.

Para que os alunos possam registrar sua presença, haverá um QR Code na tela da TV no início, meio e fim de cada aula. Os alunos devem usar a câmera do celular para "escanear" o código de verificação, que irá direcioná-los para uma página do portal Educa SC. Nesta página, eles devem digitar a cidade, a escola, a sua matrícula e o código de validação que vai estar na tela da TV.

Equipe do trabalho remoto não será dispensada

As aulas foram interrompidas em março de 2020. Quando foram retomadas, no final de abril, a prioridade era que fossem remotas. Desta forma a regional de Lages contratou 270 professores temporários para auxiliar neste processo. Em função da realidade econômica da região, a maioria dos alunos não possui acesso à internet. Desta forma, de quinze em quinze dias buscava material impresso na escola, resolvia as questões e quando ia entregar recebia nova remessa de tarefas.

"Dos cerca de 25 mil alunos, chegamos a ter quase cinco mil no formato remoto. Esses foram atendidos em dois polos montados nas Escola Belizário Ramos e Egídio Baraúna," detalha Humberto de Oliveira. Esses polos também preparavam e distribuíam o material impresso que era utilizado por quem não tinha internet.

Com o retorno das aulas presenciais, esses professores dos polos serão os responsáveis em ministrar as reposições de aula e os reforços de conteúdo, já que essas atividades serão remotas. Desta forma, os professores das escolas onde os alunos estão matriculados se concentram nas aulas presenciais.

Diretores foram orientados

Os diretores das escolas estaduais participaram de uma série de reuniões entre segunda e terça-feira sobre a portaria nº 2154/21, que atualiza alguns regramentos para aulas presenciais na rede estadual. Os encontros tiveram abertura do secretário Luiz Fernando Vampiro e do secretário adjunto Vitor Balthazar, que apresentaram as ações e investimentos que estão em andamento e responderam dúvidas dos gestores.

Entre as principais mudanças para o segundo semestre está a atualização do distanciamento entre os estudantes dentro da sala de aula, que passa a ser de 1 a 1,5m. As turmas cujas salas tenham capacidade para atendimento total dos alunos seguindo estas regras deverão voltar ao atendimento 100% presencial. Nos casos em que a capacidade total da sala não for suficiente para atender todos os alunos juntos seguindo este critério, as turmas terão aulas no modelo híbrido (tempo escola e tempo casa).

A oferta de ensino 100% remoto fica restrita aos estudantes que pertencem aos grupos de risco definidos pelo Decreto nº 1.408/21. O grupo inclui gestantes e puérperas; obesidade grave; asma; doença congênita, rara, genética ou autoimune; neoplasias; imunodeprimidos; hemoglobinopatia grave; doenças cardiovasculares; doenças neurológicas crônicas; e diabetes mellitus.

Os estudantes dos grupos de risco devem entregar laudos médicos que atestem a condição às escolas onde estão matriculados em até 30 dias. Os alunos que não apresentarem quadros graves e tiverem interesse poderão frequentar as aulas presencialmente com autorização médica.

Fonte: GOV/SC

Alunos têm a temperatura aferida e na sala de aula precisam manter o distanciamento e o uso de máscara

Foto: GOV/SC / Divulgação

"Foi uma surpresa. A preocupação de quem trabalha na educação é sempre desenvolver um bom trabalho, fazer o processo ensino-aprendizagem, para que essa criança seja alfabetizada, para se aproprie do conhecimento, para que tenha a estrutura e material adequado. A educação liberta. Mas fomos invadidos por uma pandemia mundial, que chegou de uma hora para outra em nossas escolas e em nossos lares. Isso criou uma transformação no jeito de ver nossas escolas, no jeito de fazer pedagógico. É um aprendizado. A mensagem maior é a importância da escola para vida das crianças e das famílias. O quão importante o trabalho do educador no processo de construção da cidadania.

Precisou ter essa pandemia para que o Brasil e o mundo percebessem a importância dos profissionais da saúde e da educação."

Humberto de Oliveira, consultor educacional, sobre o impacto da pandemia

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