Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Serra Catarinense

Médicos realizam primeira cirurgia de crânio com paciente acordado, na Serra Catarinense

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Médicos realizam primeira cirurgia de crânio com paciente acordado, na Serra Catarinense

Uma equipe de médicos do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, foi pioneira na Serra Catarinense, na realização de uma cirurgia de crânio com o paciente acordado, a chamada neurocirurgia com Craniotomia em Paciente Acordado (CPA ou awake craniotomy).

A paciente, de 65 anos, apresentava uma lesão tumoral localizada na região temporal esquerda (área responsável pela fala e próxima da área responsável pelos movimentos do braço e da mão direitos).

O neurocirurgião, Gibrail Dib, que coordenou o procedimento, explica que a escolha pelo método se deu pelo fato de a paciente apresentar alteração leve da fala em pré-operatório e a técnica daria mais garantias da retirada da lesão tumoral, ao mesmo tempo que ampliaria a condição de preservação da fala e dos movimentos. "A monitorização eletrofisiológica intraoperatória permite uma avaliação dos limites funcionais do cérebro, nos evidenciando em que região está a função motora do braço ou em qual giro cerebral está localizada a linguagem do paciente, como no caso em questão."

No ato cirúrgico, explica o neurocirurgião, é fundamental a participação de uma equipe de anestesia com experiência na técnica. A cirurgia inicia-se com o paciente dormindo, recebendo o suporte ventilatório através de uma máscara laríngea. Após a realização do acesso cirúrgico e a abertura duramater (camada mais externa e espessa das três membranas - meninges - que rodeiam o sistema nervoso central dos vertebrados), o paciente é despertado e a máscara laríngea é retirada. Nesse momento, o paciente é avaliado pelo neurofisiologista e pelo fonoaudiólogo, que realizam os testes motores e a avaliação da linguagem, priorizando as funções associadas à área abordada cirurgicamente. "O grande desafio para os neurocirurgiões é conseguir uma ressecção significativa em lesões que estão nas áreas eloquentes do cérebro sem agregar sequelas neurológicas novas. Baseado neste objetivo, o resultado da cirurgia realizada em Lages foi dentro do esperado, uma vez que a paciente não teve piora da fala e dos movimentos e foi possível fazer uma ressecção ampla do tumor", disse Gibrail.

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A equipe que acompanhou o neurocirurgião Gibrail Dib foi composta, ainda, por Equipe formada por : um neurofisiologista, um anestesista, uma instrumentador, um circulante de sala, um enfermeiro, um auxiliar de anestesia e um técnico em imagem e neuronavegação.

Como se dá escolha pelo procedimento

Gibrail Dib explica que nem todos os casos de neurocirurgia podem aplicar a técnica da Craniotomia em Paciente Acordado. A escolha se dá nos quadros em que a lesão cerebral está próxima ou em áreas eloquentes, ou seja, que afetam as atividades motoras, sensitivas, de linguagem e em áreas que estão envolvidas com a função cognitivas, ligadas a cálculos e artísticas. A seleção dos pacientes ocorre em uma entrevista psicossocial, sendo excluídos doentes com quadro de ansiedade geral ou alterações cognitivas pré-operatórias.

"Por exemplo, um paciente com tumor que se localiza na área responsável pela fala, há a necessidade de operá-lo acordado e falando para se ter certeza de que não haverá prejuízo da fala do paciente com a retirada da lesão tumoral. A mesma regra serve para pacientes com tumores localizados na área dos movimentos, da visão, etc..."

Técnica surgiu em 1886

A Neurocirurgia com craniotomia em paciente acordado (CPA ou awake craniotomy) foi realizada pela primeira vez pelo inglês Sir Victor Horsley, em 1886, para localizar foco epiléptico com auxílio de estimulação elétrica cortical. Wilder Penfield, neurocirurgião e pesquisador, fez mapeamentos em pacientes conscientes com epilepsia grave, sob anestesia local, observando diretamente o cérebro e avaliando as respostas a estímulos elétricos.

Ele preparou relatórios detalhados sobre a correlação anatômica e funcional cerebral, contribuindo para o entendimento da anatomia funcional cerebral.

Desde a década de 1980, alguns autores consolidaram a referida técnica no tratamento das neoplasias de origem glial (tipos celulares presentes no sistema nervoso central).

A CPA é usualmente realizada na ressecção de tumores cerebrais em áreas eloquentes, permitindo o mapeamento funcional intraoperatório e identificação precisa das regiões relacionadas com linguagem, motricidade, sensibilidade e visão.

Apesar de ter surgido ainda no século 19, essa técnica vem sendo mais difundida e utilizada nos últimos anos, porque exige o protagonismo de neurocirurgiões com capacitação, experiência e formação diferenciadas. Além disso, para realizar este tipo de cirurgia, há necessidade de que o hospital seja equipado adequadamente e tenha equipes treinadas.

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