Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Mauro Maciel

Covid já matou mais de 1.400 crianças de zero a 11 anos no Brasil

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Covid já matou mais de 1.400 crianças de zero a 11 anos no Brasil

Os casos de morte ou de sequelas graves causadas pela Covid-19 em crianças justificam a necessidade de incluí-las no calendário de vacinação. Isso porque o Brasil somava, até o início do mês de janeiro, 1.449 mortes de meninos e meninas de até 11 anos em decorrência do novo coronavírus e mais de 2.400 casos da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à Covid-19, conjunto de sintomas graves que podem levar à morte.

Especialistas apontam que o risco para as crianças é maior, já que a maioria dos adultos está vacinada ou teve contato com o vírus, fatores que aumentam a resistência. Em Lages, que atende pacientes de todos os 18 municípios da Serra Catarinense, na quarta-feira 3 dos 5 leitos de UTI/Infantil do Hospital Seara do Bem estavam ocupados, situação ímpar desde o início da pandemia em março de 2020.

Segundo o Ministério da Saúde, a Covid-19 está entre as dez principais causas de morte de crianças entre cinco e 11 anos no Brasil - atrás apenas dos acidentes de trânsito. "A vacinação desse público é estratégia importante para reduzir o número de mortes por conta da Covid-19 nessa faixa etária no Brasil, cujos indicadores são mais expressivos do que em outras nações", descreveu a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em nota publicada em janeiro.

Para a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), "nenhuma morte de crianças é negligenciável". "É inadmissível testemunhar crianças serem hospitalizadas e falecerem por doenças preveníveis por vacinas", disse a entidade.

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Síndrome leva à internação e à morte

Segundo informações do Sivep-Gripe, plataforma do Ministério da Saúde que reúne dados sobre os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 no país, em 2020, 10.356 crianças entre zero e 11 anos foram notificadas com o problema, das quais 722 evoluíram para óbito. Em 2021, o total de notificações subiu ainda mais e atingiu 12.921 ocorrências da síndrome respiratória na mesma faixa etária, com 727 mortes. No total, são 23.277 casos de SRAG por Covid-19 e 1.449 mortes desde o início da epidemia até dezembro de 2021.

Entre as crianças de cinco a 11 anos, houve 2.978 casos de SRAG por Covid-19, resultando em 156 mortes. E em 2021, já foram registrados 3.185 casos nessa faixa etária, com 145 mortes, totalizando 6.163 casos e 301 mortes desde o início da epidemia. Esses números representam uma incidência de 29,96 casos e 1,46 óbito a cada 100 mil habitantes nessa faixa etária, segundo o Sivep-Gripe.

A SRAG associada à Covid-19 tem como sintomas tosse, coriza, obstrução nasal, febre e pode evoluir para um quadro de insuficiência grave, que pode exigir internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Inflamação pode levar à falência de órgãos

Já a SIM-P, apesar de ser considerada rara, é potencialmente grave e grande parte dos casos necessita de internação em UTI, por acometer diferentes partes do corpo. Os principais sintomas da síndrome são febre persistente, desconforto gastrointestinal, conjuntivite bilateral não purulenta, sinais de inflamação com muco e comprometimento cardiovascular, como miocardite (inflamação no músculo cardíaco).

Para pesquisadores, casos entre crianças e jovens tende a aumentar

O projeto CoronaVidas.net divulgou uma nota técnica, em 19 de janeiro deste ano, que alerta sobre a situação e evolução da pandemia de Covid-19 no Distrito Federal, além de apontar um prognóstico caso as condições atuais sejam mantidas. Apesar do estudo ser no DF, vale para todo o Brasil, já que as características são semelhantes.

De acordo com a nota, o DF, tem sido um dos locais mais afetados pelo coronavírus no Brasil. A unidade da federação ocupa a quarta colocação do país em relação ao número de mortes por milhão, com 3.640, e também em casos por milhão, com 179 mil.

Essa nova onda, causada pela variante ômicron, tem se mostrado mais infecciosa que as anteriores. O número de casos ainda não reflete no número de óbitos, isso por conta do andamento da vacinação, mas, de acordo com a nota técnica, esse quadro deve mudar dentro de uma ou duas semanas.

"Isso ocorre no momento em que uma parcela substancial da população já teve contato com o vírus, e também com uma parte substancial da população já vacinada, o que deve reduzir significativamente a mortalidade entre os infectados, assim como observado em outros países, demonstrando tanto a eficácia e a segurança das vacinas contra a COVID-19, como a extrema necessidade de vacinar rapidamente a maior quantidade possível de pessoas, incluindo aí crianças", destaca nota.

Internações de crianças em UTIs catarinenses aumentam 400% em 15 dias

A taxa de ocupação de leitos de UTI Pediátrico para tratamento de Covid-19 cresceu 433% na primeira quinzena de fevereiro. Os dados foram levantados pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, nesta semana. No dia 1º de fevereiro, apenas três leitos de UTI pediátrico estavam ocupadas com crianças em tratamento para Covid-19, o que representava uma taxa de ocupação de 16%. Já no dia 15 de fevereiro, esse número passou para 16 leitos, o que equivale a uma taxa de 73%.

A SES/SC identificou ainda um aumento de 1094% nas internações por Covid-19 de menores de 15 anos, passando de 16 registros no período de 28 de novembro de 2021 até 1º de janeiro de 2022 para 191 registros entre 02 de janeiro e 05 de fevereiro de 2022. O dado inclui casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 hospitalizados em leitos de enfermaria e de terapia intensiva.

Nas crianças de 0 a 4 anos, o número de internações passou de 13, em 2021, para 139, em 2022. Já para as crianças de 5 a 11 anos, o número de internações passou de 2, em 2021, para 42, em 2022. E finalmente para jovens de 12 a 15 anos, apenas 1 internação foi observada em 2021, enquanto 10 internações já foram notificadas em 2022.

Vacinação

O aumento nas internações de crianças para tratamento de Covid-19 reforça a necessidade de ampliar a vacinação na faixa etária de 5 a 11 anos, segundo o secretário da Saúde André Motta Ribeiro. "Proteger as crianças é uma das nossas prioridades nesse momento. Por isso estamos trabalhando para incentivar pais e responsáveis a levarem seus filhos para os postos de vacinação para receberem a primeira dose da vacina contra Covid-19. Essa ação é fundamental para que o maior número possível de crianças seja protegida, garantindo, assim, que não tenhamos mais esse aumento na ocupação de leitos pediátricos e nossas crianças possam frequentar as escolas com segurança", destacou.

Atualmente, em Santa Catarina, 129.005 crianças de 5 a 11 anos já receberam a primeira dose da vacina, o que equivale a 20% da cobertura vacinal para essa faixa etária.

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