O Colégio Santa Rosa de Lima, fundado em 1901, sob a responsabilidade das irmãs da Divina Providência, é parte importante da história de Lages. Neste mês de agosto, acontece a comemoração dos 120 anos da sua fundação. E num ano, embora tão emblemático, são muitas as novidades desenvolvidas por esta instituição envolvendo estímulos a habilidades como: aluno bilíngue, o Programa Socioemocional "Líder em Mim", Sala Maker, espaço de experimentação. Apoiados na qualidade do Material didático do Sistema Positivo da Educação Infantil ao Terceirão.
Desde fevereiro deste ano, está aberto o Espaço de Memória do Colégio Santa Rosa de Lima. Neste local, os alunos desde a Educação Infantil ao Terceirão têm contato com as memórias e narrativas históricas das Irmãs da Divina Providência e da trajetória educacional do colégio.
As atividades realizadas no museu são educativas com o objetivo de manter a memória e a história. A preservação do patrimônio histórico e cultural do Colégio pelas Irmãs é uma demonstração da responsabilidade em proteger a identidade educacional por elas gerida.
O Espaço de Memória conta com um acervo de objetos sacros, educacionais e do cotidiano; além de documentos, alguns datados do século XIX. O prédio, inaugurado em 1915, é tombado pela Fundação Catarinense de Cultura desde 2000. Por conta da pandemia de Covid-19, as visitas externas não estão sendo realizadas.
É importante contar um pouco da história do Colégio a partir da viagem das irmãs de Florianópolis a Lages, no lombo de animais. Alguns trechos são relatos que as irmãs deixaram registrados em diários.
Lages, 1901
A chegada das três irmãs, Geórgia, Geralda e Benvenuta, acompanhadas do padre Carlos Schmees e seu auxiliar, em agosto de 1901, só foi possível, após uma longa viagem entre a capital, Florianópolis, e Lages. Foram dez dias para percorrer o trajeto. A comitiva, que contava com cerca de 30 mulas, foi guiada por homens que conheciam bem a região. O grupo viajava durante o dia e, à noite, descansava nas poucas hospedarias ou em acampamentos. Em tendas improvisadas eram realizadas as missas diárias. As dificuldades da viagem foram registradas pelas irmãs: "Penosamente seguem as cavalgaduras o seu caminho, morro acima, morro abaixo, ora transpondo buracos profundos, ora passando por pedreiras, aqui passando por um abismo íngreme, ali somente o rio oferece uma única possibilidade de ir adiante. Aconteceu que o mesmo rio foi atravessado 15-20 vezes pela caravana. As hospedarias são em geral muito precárias. Se a caravana não encontra uma casa que sirva de hospedaria, arma-se uma tenda perto de um rio, a fim de ter logo a mão a água necessária para a preparação de comida."
As três irmãs chegaram a Lages no dia 18 de agosto. A viagem durou dez dias, pois saíram de Florianópolis no dia 8 de agosto de 1901, acompanhadas do Pe. Superior Carlos Schmees. Também integravam a comitiva um auxiliar do padre superior e três homens responsáveis por guiarem as mulas. Além dos viajantes, havia malas a serem transportadas. As irmãs eram esperadas em Lages com festa. "A entrada em Lages no dia 18 de agosto foi na verdade maravilhosa. A uma milha de distância da cidade, as irmãs receberam as boas vindas de um grupo de cavaleiros, composto dos senhores mais distintos do lugar. Trocaram então das modestas cavalgaduras por uma carruagem. Uma salva de tiros anunciava à cidade a chegada das Irmãs, uma banda de música tocava a marcha de saudação. Perto da igreja fizeram alto; meninas, vestidas de anjinhos, deram as boas vindas às irmãs em nome dos doentes, dos abandonados e da juventude. Discursos entusiásticos receberam as recém-chegadas."
A primeira escola
A primeira casa das irmãs era em estilo colonial e localizava-se onde, atualmente, é a Agência dos Correios, na esquina das ruas Coronel Córdova e João de Castro, no Centro de Lages. Comprada pelo padre Herculano Limpinsel, era uma das melhores da cidade.
O início foi muito pobre, as irmãs passaram por dificuldades. O primeiro armário foi feito à mão com as madeiras velhas. Como sineta, para avisar o início ou término das aulas, usavam duas facas batidas uma na outra. Apesar da precariedade, dias depois da chegada a Lages, em 21 de agosto, de 1901, as irmãs tinham 34 alunas e contavam com uma professora da cidade, Antônia Varela.
Em 1902, alugaram mais uma casa, e a antiga sala foi transformada em capelinha. Antes do fim do ano, alugaram uma terceira casa na Rua João de Castro, da esquina com a Rua Coronel Córdova até a esquina da Rua Hercílio Luz.
Poucos anos após a instalação da escola, as irmãs pagavam aluguel até então, decidiram construir uma sede própria. A dificuldade encontrada por elas foi para conseguir materiais, pois estes não eram fabricados em Lages. Cal, vidro e ferro, tudo precisava ser trazido do Litoral de Santa Catarina.
O terreno para a compra do atual colégio Santa Rosa foi adquirido em 1912. A pedra fundamental para a construção foi colocada em 1913. Foi também nesta época que as irmãs compraram dos padres Franciscanos o prédio do Colégio São José, onde funciona, desde então, o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, na esquina das atuais ruas Lauro Muller e Hercílio Luz.
Linha do tempo
1901 - Chegada das irmãs e início das aulas. Elas chegam à cidade para três atividades: educação das meninas, auxílio aos doentes e catequização.
1902 - Tem início o internato no Colégio. Neste ano, chegam a Lages mais três irmãs.
1904 - Fundação do Coleginho Imaculada Conceição para atender as crianças pobres. Posteriormente, construiu-se um prédio próximo ao Colégio Santa Rosa, na rua Lauro Müller.
1915 - Inauguração do prédio na esquina das atuais ruas Lauro Müller e Frei Gabriel. O novo edifício abria as portas para receber alunas externas e internas.
1922 - Inauguração da Catedral Diocesana. As irmãs continuavam arrecadando recursos para pagar débitos da obra da igreja, ainda em 1925. O grupo de alunas, Filhas de Maria, fazia apresentações teatrais.
1918 - A gripe espanhola chegou ao país em 1918 e espalhou-se rapidamente por todo o território nacional. Infectou e matou dezenas de milhares de pessoas. Por conta disso, um dos projetos de lei do Legislativo Federal em relação à educação foi a aprovação automática de todos os estudantes. A medida era necessária, conforme justificativa, uma vez que o governo proibiu as aglomerações nos últimos meses do ano. A lei entrou em vigor e, de fato, nenhum aluno foi reprovado no Brasil em 1918. No Colégio Santa Rosa, os pais buscaram as filhas antes do término do ano. Não houve festa escolar nem exames públicos.
1920 - A água encanada chega ao colégio nesta década.
1926 - Os jornais lageanos acompanhavam as atividades das irmãs da Divina Providência e, por isso, em abril de 1926, uma publicação do jornal Correio de Lages - Orgam, do Partido Republicano Catharinense -, destaca a vinda de meninas joaquinenses para o colégio.
1936 - Início do Jardim de Infância com 50 crianças matriculadas
1939 - Uma nova ala é construída.
1968 - Encerramento do internato
1969 - Encerramento das atividades do Coleginho Imaculada Conceição. O prédio ficava onde está o Ginásio de Esportes, hoje, na rua Lauro Müller.
1972 - Início da construção do Ginásio de Esportes inaugurado em 18 de agosto de 1973.
2021 - Ano em que o Colégio completa 120 anos, somando o que há de melhor na educação da Serra Catarinense.
São 120 anos construindo grandes histórias de sucesso. E querendo compartilhar algumas destas narrativas, o Colégio produziu uma minissérie, que poderá ser conferida pelas redes sociais da Instituição, na qual serão reconhecidos personagens emblemáticos, que marcaram gerações, e compartilham as suas histórias por meio dos vídeos. Serão quatro episódios. Cada um trará uma pessoa com um vinculo muito significativo na história do Colégio e conhecido(a) por gerações de estudantes. Relatos tocantes que emocionarão.
Em setembro, as matrículas para novos alunos serão abertas O colégio atende alunos do Berçário ao terceirão, oferecendo um dos melhores sistemas de ensino do país: Sistema Positivo de Ensino.






