Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Serra Catarinense

Bispo de Lages falou sobre a Semana Santa em época de pandemia do novo coronavírus

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Bispo de Lages falou sobre a Semana Santa em época de pandemia do novo coronavírus

Folha da Serra_ Dom Guilherme, gostaria que o senhor começasse falando como serão as comemorações da Semana Santa, neste ano, com a pandemia do novo coronavírus.

Dom Guilherme Werlang_ Precisamos nos reinventar para podermos celebrar tudo que a Semana Santa. A Semana Santa é a mais importante da liturgia da Igreja Católica. É nela que acontece a instituição da Santa Ceia, o que Jesus espera da sua igreja, o teu serviço simbolizado no lava-pés; acontece a instituição do sacerdócio cristão, a traição de Judas, a prisão de Jesus, a condenação, a crucificação, o sepultamento e a ressurreição. Tudo isso é celebrado dentro dessa semana, intensificando com uma grande celebração em vários momentos dos discípulos, de Quinta-Feira Santa até Domingo de Páscoa.

Já tivemos a celebração do Domingo de Ramos e incentivei as paróquias que divulgassem que as pessoas não podem ir à igreja, porque é só 25% de presença que pode acompanhar em casa. E teve grande repercussão. Na noite de ontem, Quarta-Feira Santa, a Diocese de Lages, houve a Missa do Crisma, que abençoa os olhos para os enfermos e aqueles que são preparados para o batismo, que chamamos de Ordem dos Catecúmenos e se consagra o óleo do crisma. O óleo do crisma é a unção, usado depois do batismo, é ungida a fronte de quem é batizado; é usado quando alguém é ordenado padre, ungem-se as mãos, significa 'as mãos para servir ao povo'; e quando alguém é ordenado bispo, derrama-se sobre a cabeça, para dizer que você está a serviço do reino de Deus, da igreja, de Jesus Cristo. Os Santos Olhos, na quarta-feira à noite, os padres da diocese prometem obediência ao seu bispo ou aos seus sucessores, as mesmas promessas que foram feitas no dia em que ele foi ordenado padre. Na Quinta-Feira Santa à noite, temos a celebração da instituição da Ceia do Senhor, do lava-pés e do sacerdócio. Com isso, iniciamos o Tríduo Pascal. A contagem dos dias do mundo judaico na época, era diferente. Quando escurece, até hoje, pelo mundo islâmico, judeu, inicia-se um novo dia, aí eles têm as várias vigílias. É neste momento que Jesus se reúne para a última ceia. Ele pega o pão, diz: tomai e comei, isto é meu corpo. Depois, pega o cálice, tudo segundo a Páscoa judaica; e coloca o vinho misturado com um pouco de água, o abençoa e diz: tomai e bebei, isto é meu sangue, derramado, como uma nova e eterna aliança. Isso, celebramos na Quinta-Feira Santa à noite. E Ele disse que isso deve se perpetuar. Por isso, institui o sacerdócio com os apóstolos, depois, se levanta durante a ceia e lava os pés dos discípulos. E pergunta: "vocês compreenderam o que fiz? Assim como eu fiz, eu que sou mestre e senhor de vocês, quero que vocês façam para os outros". O cristianismo é para servir a humanidade.

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Em seguida, tiram-se as toalhas, os enfeites do altar da igreja, que fica desnundado, até a noite da Páscoa. A partir de lá, acompanhamos Jesus em oração. Ele entra na agonia, vem Judas, o prende? Tudo durante a noite de quinta para sexta. Vem o segundo dia, a sexta-feira, quando Jesus é julgado, condenado à morte, é crucificado. Da quinta à noite para sexta, é o primeiro dia do Tríduo Pascal. A partir do momento que enterram Jesus, está escurecendo, começa o segundo dia, que é a sepultura de Jesus. E o mundo fica em silêncio, isso se estende até o fim do sábado, e é o fim do segundo dia do Tríduo Pascal. A partir do entardecer de sábado, começam as vigílias pascais, por isso, a missa que se reza no Sábado Santo à noite, chama-se Missa da Vigília. Pode ter uma missa durante a madrugada, se quiser, e lá começa o terceiro dia, que vai até Domingo da Páscoa, é a Missa Vespertina. Lá se termina esse ponto e se conclui o terceiro dia. E Jesus ressuscita no terceiro dia. Durante a sexta-feira, que é o segundo dia, às três da tarde, a igreja celebra a paixão e morte de Jesus Cristo com o beijo da cruz. Neste ano, por causa da pandemia, pede-se que as pessoas não beijem o crucifixo, mas passem à frente e façam uma reverência.

Essas celebrações vão ocorrer de forma virtual?

Vão acontecer com a porcentagem que é permitida pela legislação no momento. Na catedral e em todas as paróquias. Aqui em Lages, temos oito paróquias. Temos paróquias em todos os demais municípios. Cada paróquia vai fazer de acordo com seus horários. No Tríduo, normalmente, da quinta-feira, é depois das dezoito horas. Na Sexta-Feira Santa, é sempre às quinze horas. A celebração que se faz da procissão do Cristo morto, não podemos fazer este ano, devido à pandemia. Para evitar as aglomerações, o contágio, a transmissão do coronavírus. No Sábado Santo, também pode variar a partir das dezoito, mas normalmente é entre as dezenove, vinte horas, que se faz a Missa da Vigília, onde se anuncia a Páscoa.

As essas restrições impostas pela pandemia dificultam o acesso dos fiéis à igreja?

O cristianismo é essencialmente comunitário, mas a maior de todas as leis é o amor à vida. Quem tem de dar um bom exemplo de evitar aglomeração, o contágio, provocar possíveis mortes, superlotação em hospitais, enfermarias; somos nós cristãos, porque a vida é o maior dom de Deus. Tivemos de repensar e hoje todas as paróquias transmitem por Facebook. O alcance virtual, pelo nosso levantamento no Brasil e no mundo, está maior do que quando era presença física. Pode ser que após a pandemia permaneçam as transmissões virtuais. Mas vamos voltar a conscientizar o povo de todo mundo a participar dentro do templo.

Quando começaram as missas transmitidas por rádio, assim que o rádio foi inventado, e foi um padre que inventou rádio, a igreja começou a fazer transmissões, porque quem mora vinte, cinquenta, cem quilômetros longe, como é que vai até a igreja? Mas isso não dispensa que o povo vá, quem pode, vá até a igreja. Quando chegou a televisão, logo começamos a fazer missas transmitidas, elas sempre devem ser ao vivo, a televisão não pode gravar uma missa hoje para passar amanhã, a missa celebrada naquele momento, não é para quem pode ir à igreja, mas para aquele impossibilitado. Mas ainda vamos voltar a dizer: você é comunidade. Vem participar com teus irmãos, porque a questão é que a Eucaristia é o centro da vida cristã. A eucaristia não será plena se você não for fisicamente no templo. Nesse momento, a humanidade vive um momento extraordinário. Extraordinariamente, a igreja permite que se cumpram os mandamentos da igreja virtualmente. Hoje, atingimos mais gente, talvez, do que atingíamos antes. Mas queremos continuar conscientizando na hora de voltar para dentro da comunidade. Como vai ser? A gente só vai saber depois. Acho que a sede tá tão grande da vida comunitária, que muita gente que faz tempo que não vai à igreja, vai voltar.

Gostaria que o senhor deixasse uma mensagem de Páscoa.

No texto de Isaías, capítulo cinquenta versículo quatro, que foi a primeira leitura do Domingo de Ramos, que abriu a Semana Santa, Deus diz a Isaías, para ele falar ao povo: Deus te deu uma língua adestrada para que possa dizer uma palavra de conforto. Uma palavra de ânimo. Neste momento, de cada cem notícias veiculadas, 90 são negativas. Isso baixa a autoestima, quase que oprime o povo. Neste momento, nós que cremos em Jesus Cristo, acreditamos na ressurreição, na vitória da vida sobre a morte; essa palavra é chave. Dizer uma palavra de conforto, de ânimo e dizer: nós não caminhamos sozinhos. Deus está caminhando conosco. Poderíamos dizer que Jesus Cristo ou a Santíssima Trindade, na crucificação da humanidade, nesse momento da pandemia, essa dor, tendo só no Brasil, bem mais 320 mil mortes de coronavírus, e muito mais outras mortes que não precisariam ter acontecido? Iremos dizer que acreditamos na ressurreição, dizer palavras de otimismo, de ânimo, dizer assim: não estamos sozinhos. Deus está caminhando conosco, Deus não nos abandonou. E, por favor, não acreditem em fake news. Meu irmão, minha irmã, a pandemia não foi mandada por Deus, não é um castigo de Deus. São falsos os pastores, católicos e evangélicos, que atribuem isso a um castigo de Deus. O que precisamos fazer é perguntar: por que não estamos obedecendo a vigilância sanitária? Por que continuamos, apesar de tudo, nos aglomerando? O que estamos transmitindo não nos protegendo, levando e trazendo esse contágio? Deus faz a sua parte. Vamos fazer a nossa parte? Que assim como Cristo ressuscitou, nós vamos ressuscitar. Feliz e abençoada Páscoa a todos e todas.

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