Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
Publicidade
Serra Catarinense

Bairro cresce e mantém sentimento de comunidade

.

Bairro cresce e mantém sentimento de comunidade

Ao completar 77 anos, o Bairro Coral é um dos maiores e mais desenvolvidos de Lages. Mas, apesar do crescimento econômico, a população mantém laços de amizade, são pessoas que se cumprimentam nas ruas e se reúnem para um café ou chimarrão.

A permanência de integrantes das famílias que fundaram o bairro, na década de 1940, contribui para isso. “São pessoas que se conhecem há décadas, trabalham e convivem juntas,” explica o presidente da associação de moradores, Moisés Faraon. 

Moisés é um exemplo. Aos 46 anos de idade, 40 vividos no Coral, disse que a exemplo de muitas pessoas teve a oportunidade de se mudar, investir fora da cidade, mas suas raízes falaram mais alto.

“Criamos laços. Gosto muito daqui e trabalhando pelo bairro, por consequência, também trazemos melhorias para a cidade de Lages.” 

Ele comenta que no passado a BR-2, que deu origem à BR-116, passava pelas avenidas Luiz de Camões e Dom Pedro II. Este movimento de veículos e pessoas favoreceu o surgimento do Coral, principalmente no auge do ciclo da madeira. Desde então, a infraestrutura local melhorou muito favorecendo o crescimento econômico.

Nas décadas de 1980 e 1990, o Coral se tornou referência nacional no segmento de autopeças. O setor ainda continua forte, mas atualmente cedeu espaço a uma economia diversificada. O bairro tem praticamente tudo, reduzindo a dependência do Centro da cidade.   

Para Moisés, a qualidade de vida é outro ponto positivo. É muito tranquilo morar e trabalhar no Coral. Para o lazer, o bairro possui três espaços públicos.

Uma praça em frente ao Estádio Vidal Ramos Jr, que foi remodelada recebendo brinquedos e uma quadra de grama sintética; a praça do monumento Migrantes, no encontramento da Dom Pedro II e a praça ao lado da Igreja do Rosário, que será revitalizada. 

Publicidade
Publicidade
Publicidade

“A revitalização da praça da Igreja do Rosário já foi aprovada pela comunidade em janeiro, em reunião com a prefeita Carmen e alguns secretários. A obra foi licitada e estamos aguardando o início.” Segundo Moisés, a última revitalização do local ocorreu em 1953. Agora terá um café moderno e estruturas para lazer. 

Mauro Maciel

Nome do bairro é uma sigla

A origem do nome Coral surgiu da sigla Companhia Rosário Abastecedora Ltda, inaugurada em 1º de Maio de 1948, na antiga Avenida 3 de Outubro, nº 55. A empresa pertencia a Tito Varela Ramos e João Pucci.

Era o único posto de abastecimento da região. Junto ao posto existia uma oficina mecânica. O local também comercializava baterias, molas, pneus e autopeças. 

Praticamente na mesma época se instalou um dormitório e um restaurante em anexo, formando um centro de atendimento para quem passava pela região.

O empreendimento deu origem ao bairro que cresceu a sua volta. Ele ficava na sinaleira entre as avenidas Luiz de Camões, Presidente Vargas e Dom Pedro II.

Quando os seus proprietários registraram o endereço telegráfico: CO: Companhia, R: Rosário, A: Abastecimento, L: Limitada. Na época, o telégrafo era um importante meio de comunicação e o registro formou CORAL. 

Com o passar dos anos, o bairro tornou-se referência com um comércio diversificado, principalmente voltado ao setor de autopeças.

Na década de 1980, Lages chegou a ser considerada a maior distribuidora de autopeças do Sul do Brasil, título conquistado graças às empresas implantadas no Coral e que continuam importantes até hoje. Dentre as referências da época, estavam a Engrenaco e a Real Acessórios.

O bairro cresceu muito e chegou a ser o maior de Lages em número de habitantes e em área. Mas depois foi desmembrado em outros.  Mesmo assim, o Coral se mantém como um dos mais importantes da cidade. 

Uma homenagem aos imigrantes

Como a origem do Bairro Coral teve forte influência dos migrantes italianos, vindo do Rio Grande do Sul, o entroncamento entre as avenidas Dom Pedro II e 1º de Maio foi o local escolhido para a instalação de um monumento em homenagem a essas pessoas, que vieram de outros países e cidades para contribuir com o desenvolvimento de Lages.

O autor da obra foi o escultor lageano José Cristóvão Batista e a inauguração ocorreu em 24 de maio de 2002.  Na época, a Prefeitura de Lages enfatizou que “a colonização e consequente povoação se deu por intermédio da miscigenação de raças, culturas e costumes, representado pelo homem branco, de origem portuguesa, vindos da Província de São Paulo, mestiços das missões guaraníticas, vindos da Província de São Pedro (RS), negros, índios e nômades.

Desde o início de sua povoação, a cidade, por estar localizada em uma região rica em pastagem, mantém como uma das bases de sua economia a atividade da exploração pastoril.

Mais tarde sofreu grande influência dos italianos, que tinham uma visão voltada para a extração da madeira, e dos alemães, nas atividades de beneficiamento da madeira, indústria moveleira e construção civil.”

Fonte: site Prefeitura de Lages 

150 anos da imigração italiana no Brasil

Em 17 de fevereiro de 1874 chegava ao porto de Vitória o navio “La Sofia”, conduzindo 388 imigrantes italianos. Eles foram contratados por Pietro Tabacchi, que possuía a fazenda “Monte das Palmas”, em Santa Cruz.

O empreendimento, porém, não prosperou, provocando descontentamentos e revoltas, sendo que um grupo seguiu para colônias oficiais da Região Sul.

Neste seguimento, a maior parte dos italianos que chegaram em Santa Catarina eram originários de uma região ao redor da cidade de Trento, ao norte do país; na década de 1830, seria organizada a primeira colônia italiana no Estado

Publicidade
Publicidade
Publicidade

Nomeada como Nova Itália, ela enfrentaria uma série de dificuldades e logo seria abandonada.

Entretanto, outras colônias foram fundadas na região e conseguiriam prosperar, como nas cidades de Nova Trento, Porto Franco e Brusque.

Quatro décadas depois seria iniciada nova leva de colonização italiana no Brasil, motivada pela procura de mão-de-obra após a abolição da escravatura no país, em 1889.

Na época, milhares de imigrantes se instalariam em regiões isoladas de Santa Catarina como Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra, Pedras Grandes, Nova Veneza e Turvo, que eram tomadas por florestas e pouco ocupadas por brasileiros.

Tratava-se de terras menos férteis dos que haviam sido anteriormente ocupadas por brasileiros e alemães; de qualquer forma, a descendência da leva de 1870 conseguiu prosperar.

Poucas décadas depois existiam quase 100 mil famílias italianas em Santa Catarina. A comunidade era tão grande que praticamente não se usava a língua portuguesa. 

Fonte: Câmara de Vereadores de Lages (homenagem aos italianos)

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Compartilhar
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Leia também