No passado, eles eram chamados de guarda-livros, nome que não faz jus à importância da profissão de contador e de quem a desempenha. São esses profissionais que contribuem na organização de empresas e instituições, na elaboração de contratos e no cumprimento das obrigações junto ao Fisco, isso para citar apenas algumas responsabilidades. O dia 22 de setembro é dedicado a eles, mas a história da profissão não se resume a uma data. Registros apontam que as origens primitivas do conhecimento contábil surgiram no início da vida organizada do homem, ou seja, há mais de 30 mil anos. Desta forma, independentemente dos nomes, é uma atividade que contribuiu em cada etapa da construção da sociedade e principalmente da formação da economia da forma que conhecemos hoje.
Para celebrar a data, o Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina (CRC/SC) realizou a Semana do Contador. A programação contou com 13 palestras on-line, realizadas pelos canais do CRCSC no Youtube e Instagram.
O que faz
O contador é o profissional que cuida da organização financeira das pessoas, empresas e instituições. Ele tem entre suas responsabilidades o controle das entradas e saídas de uma empresa, questões tributárias e patrimoniais, encargos trabalhistas, balanços e demais dados financeiros que serão necessários para um boa administração e respeito a todos os trâmites burocráticos que as leis exigem.
Ele também audita contratos, verificando inconsistências e incompatibilidades econômicas e fiscais, gera relatórios, presta consultoria, elabora a Declaração do Imposto de Renda, faz cálculos da área de seguros e previdência e ainda realiza perícias para processos judiciais.
Como atua
O trabalho do contador ajuda bastante os gestores na tomada de decisões, afinal, ele faz registros contábeis e analisa orçamentos, custos e investimentos de uma empresa. No Brasil, o estado que apresenta a maior remuneração para esse profissional é São Paulo, com um salário de R$5.163,39, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de 2018, do Ministério do Trabalho. O salário médio de um contador é R$4.367,51.
Onde atua
O contador pode atuar de forma independente, abrindo seu próprio escritório de contabilidade e atendendo às demandas de pessoas físicas e jurídicas conforme sua capacidade de volume de trabalho e equipe disponível.
Diversas empresas preferem um contador interno e dedicado somente aos seus serviços. Normalmente, esses profissionais estão em empresas com cargas mais complexas de serviços e volumes maiores de transações e pessoal.
Os setores administrativos dos órgãos públicos também contam com contadores em sua grade de funcionários. São profissionais que precisam de extrema rigorosidade na análise dos números para controle financeiro e para que as verbas públicas tenham aplicação correta.
O setor acadêmico também tem espaço para docentes nos cursos superiores e técnicos de Ciências Contábeis ou até mesmo Administração, dentro da área financeira.
Outras áreas de atuação de um contador:
Auditoria
Perícia
Consultoria e Assessoria
Capitalização, Seguros, Previdência e Investimentos
Educação financeira
Fonte: querobolsa.com.br
Historia e evolução profissional contábil no Brasil
A formação profissional do Contador no Brasil teve sua origem na proposta do Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 1754, que propôs a criação de uma Aula de Comércio, supervisionada pela junta de Lisboa e sua instituição foi aprovada em 12 de dezembro de 1956, na capital portuguesa.
Em 18 de janeiro de 1764 a Ordem Régia tornou obrigatório o registro das partidas dobradas.
A primeira regulamentação do profissional contábil ocorreu em 30 de agosto de 1770, com a matrícula dos Guarda-Livros na junta de Comércio de Lisboa. O registro desses Guarda-Livros era válido tanto para Portugal como para a Colônia.
Em 1812, abriu-se concurso para lentes, para as Aulas de Comércio a se estabelecerem na Bahia e em Pernambuco, e em 1835 foram aprovados os estatutos da Aula de Comércio da Corte, mantida pela Secretaria do Tribunal Real da Junta do Comércio.
Em 6 de julho, foi aprovado o Regulamento da Aula de Comércio pelo Decreto no. 456 e em 30 de dezembro do mesmo ano, foi regulado a expedição da Carta de Habilitação dos diplomas da aula de Comércio.
Dez anos mais tarde, a aula de Comércio da Corte foi substituída pelo Instituto Comercial do Rio de Janeiro e na mesma cidade, em 1869 foi fundada a associação dos Guarda-Livros, sendo um marco para o reconhecimento oficial das profissões liberais. E em 1891, fundou-se a Academia de Comércio de Juiz de Fora em Minas Gerais.
Em 1915, foi fundado em São Paulo o Instituto Brasileiro de Contadores Fiscais e um ano depois, constituiu-se a Associação dos Contadores de São Paulo e o Instituto Brasileiro de Contabilidade, tendo como presidente o senhor Cornélio Marcondes da Luz. Em 1936, o Instituto foi transformado em Sindicato.
Em 1919, o professor Francisco D'Auria lançou a ideia da fundação de uma associação parecida ao Instituto Brasileiro de Contabilidade a alguns alunos da Álvares Penteado, e em 19 de julho, onze colegas fundaram o Instituto Paulista de Contabilidade.
Em 1924, foi realizado o Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilidade no qual foi desenvolvido uma campanha para a regulamentação da profissão do contador, e para a reforma do ensino comercial, que foi concretizada em 1931.
Em 1926 foi fundado o Instituto Mineiro de Contabilidade e em 1927 foi fundada a Associação Campineira de Contabilidade.
Em 1927, Francisco D'Auria, em um banquete promovido por contadores em São Paulo, lançou a ideia da instituição do "Registro Geral dos Contabilistas" no Brasil, com o fim de selecionar os profissionais aptos para o desempenho da profissão.
Em 1928, já existia o Instituto Fluminense de Contabilidade.
Em 1929, organizou-se em São Paulo o Comitê Brasileiro da AIC Associação Internacional de Contabilidade, com sede em Bruxelas. Ela tinha por finalidade promover congressos internacionais.
Em 1930, foi regulamentada a ordem dos Contadores do Brasil , e em 31, o Governo Provisório estabeleceu o registro obrigatório dos guarda-livros e contadores na Superintendência do Ensino Comercial.
Em 1931, constituiu-se a Câmara dos Peritos Contadores do I.B.C. no Instituto Brasileiro de Contabilidade, a Associação Pernambucana de Contabilidade e o Instituto Mato-grossense de Contabilidade. Um ano antes, foi fundado o Instituto Cearense de Contabilidade e um ano depois a Associação Mineira de Contabilidade.
Em 1932, o Instituto Brasileiro de Contabilidade realizou o 2o congresso Brasileiro de contabilidade, no Rio de Janeiro. Em 33 fundou-se o Instituto Riograndense de Contabilidade. Em 1934, o 3o Congresso instalou-se em São Paulo.
A Primeira Convenção dos Contabilistas do Estado de São Paulo foi em maio de 46, e compareceram 75 contabilistas das cidades paulistas identificados individualmente, mais os Sindicatos dos Contabilistas do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, do Paraná (Curitiba), Pelotas. Campinas e Ribeirão Preto. Posteriormente, no mesmo ano, foi feita a Primeira Convenção Nacional dos Contabilistas no Rio de Janeiro, e em outubro decidiu-se pela criação do Conselho Federal de Contabilidade e de seus Conselhos Regionais nos Estados.
Fonte: jornalcontabil.com.br
Origem da Profissão
As origens primitivas do conhecimento contábil estão no início da vida organizada do homem, ou seja, há mais de 30 mil anos. Provas arqueológicas levaram às contas da pré-história, descobertas na gruta de Dáurignac no departamento do Haute, ao sul da França. No Brasil, no município Raimundo Nonato, no Piauí, também foram encontrados registros.
Em 1494, Luca Pacioli publica, em Veneza, a "Summa de Arithmetica, Geometria proportioni et propornalità", na qual se distingue, para a história da Contabilidade, o Tractatus de Computis et scripturis, marco básico na evolução da Contabilidade. Nesse tratado, talvez pela primeira vez, o método contábil é explicado integralmente a partir do inventário.
Em 1891, Fábio Besta - o primeiro e maior contador moderno - inicia a Era do Controle. Ele desenvolve a teoria materialística das contas. Ao lado de Pacioli, é o maior vulto da Contabilidade.
A partir de 1920, inicia-se a fase de predominância americana dentro da Contabilidade, também auxiliada pelo poderio econômico e político da grande nação.No Brasil, a primeira escola de Contabilidade no Brasil foi fundada em 1905: a Escola de Comércio do Rio de Janeiro, reconhecida pelo decreto 1.339 de 09/01/1905, que dava ao aluno concluinte o diploma de Guarda-Livros e Perito Judicial. Somente com o decreto nº 8.191 de 20/11/1945, mudou-se a denominação de Guarda-Livros para Técnico em Contabilidade. Já o primeiro curso superior em Ciências Contábeis foi criado pelo decreto nº 7.988 de 22/09/1945.
O Decreto-lei 9.295 de 27/05/1946 criou o Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais de Contabilidade, com a finalidade de habilitar e fiscalizar o exercício da profissão contábil, além de definir as atribuições de Contador e de Técnico em Contabilidade. A Resolução do CFC nº 290/70, de 4 de setembro, aprovou o Código de Ética Profissional, alterado pela Resolução CFC nº 803/96, de 10 de outubro, que dispõe sobre a ética profissional do profissional da contabilidade.
A Resolução do CFC nº 560 de 28/09/83 dispõe sobre as prerrogativas profissionais do contabilista, de que trata o artigo 25 do Decreto-Lei 9295/46.
Fonte: Joaquim Scarpin - contador e professor. Extraído do Mensário Brasileiro de Contabilidade - Edição de maio/junho de 98.
Quase uma década antes, em 1916, o senador João Lyra já defendia, no Senado, a conveniência de se regularizar o exercício da profissão, acentuando a merecida confiança nos profissionais da contabilidade. Porém, mesmo com toda a luta do senador João Lyra Tavares, de Carlos de Carvalho e tantos outros profissionais que engrandeceram a classe, a regulamentação do ensino comercial no Brasil só ocorreu em 30/06/1931, com o advento do Decreto n° 20.158. Ainda assim, o dia mais marcante para a classe contábil foi o da assinatura da Lei n° 9295/46, quando a classe assumiu a sua maioridade.
Fonte: CRC/RJ






