Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Mauro Maciel

Altos valores pagos pelos consumidores não chegam na mesma proporção para quem está na ponta da produção de leite

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Altos valores pagos pelos consumidores não chegam na mesma proporção para quem está na ponta da produção de leite
Há séculos, basicamente todas as propriedades rurais da Serra Catarinense mantinham vacas leiteiras. A produção era destinada para consumo próprio ou, quando era um pouco maior, para os laticínios. Essa segunda opção deixou de existir, principalmente para os pequenos produtores que não conseguem entregar uma quantidade que compense a coleta. Quando conseguem, não sabem quanto irão receber pelo produto. Depois de trinta dias, o valor que cai na conta geralmente não cobre as despesas de produção.
Urubici sempre foi destaque da região quando o assunto é produção leiteira. Mesmo sem revelar seu nome, técnico que atende o município avalia que somente médios e grandes produtores devem permanecer. A atividade exige dedicação sete dias por semana e os pequenos produtores geralmente trabalham no vermelho. O valor recebido não cobre as despesas e muito menos a mão de obra.
No início deste ano, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) mostrou preocupação com um fenômeno que ocorre no campo: o intenso abandono da atividade leiteira por produtores rurais. Na década de 1990 - de acordo com dados da Secretaria da Agricultura - existiam em território catarinense 75 mil produtores de leite. Agora, em 2022, são apenas 24 mil produtores.
Essa brutal redução de 68% do número de estabelecimentos rurais dedicados à pecuária leiteira está levando a uma forte concentração da produção, observou o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri. Nos últimos três anos verificou-se a maior taxa de abandono, consequência da conjugação de vários fatores como as secas que reduziram a oferta de alimento para o gado e a crise econômica que achatou o poder de consumo da população.
Segundo a Faesc, outros fatores também interferem nesse fenômeno. Os pequenos produtores, por falta de capacidade de investimento, não puderam acompanhar as novas tecnologias, portanto tiveram dificuldade em ampliar a produção e a produtividade. Assim, perseveraram na atividade os proprietários de estabelecimentos maiores, com alto grau de automação e agregação de tecnologia que apresentam melhor qualidade, maior produtividade e balanceamento dos custos.
"O microprodutor ficou de fora porque produzia pouco e para a indústria não compensa enviar o caminhão de coleta para apanhar a matéria-prima de um produtor com três ou quatro vacas", explica Barbieri. Entretanto, a maior taxa de desistência é daqueles que não conseguem produzir dentro da propriedade os insumos necessários para nutrição das vacas. Esses produtores não conseguem aumentar o plantel porque não tem comida para o rebanho - o que representa o maior item nos custos de produção.

Alternativa
Ao pequeno produtor da Serra Catarinense, resta voltar sua atenção à produção do queijo serrano, que está certificado e tem boa aceitação no mercado catarinense. Em média, para cada quilo de queijo são necessários 10 litros de leite, quantidade que absorve, muitas vezes, tudo o que é produzido por dia em uma pequena propriedade que possui poucos animais.
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