Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
MPJ | Mais Pelo Jornalismo
Publicidade
Mauro Maciel

Ações de incentivo ao plantio de florestas devem ser definidas no dia 17

.

Ações de incentivo ao plantio de florestas devem ser definidas no dia 17
O Governo do Estado de Santa Catarina anunciou que terá programa voltado ao desenvolvimento florestal. A meta é ampliar cinco mil hectares de florestas por ano. Apesar do número expressivo, as ações para atingir esse objetivo não ficaram claras. Sem detalhar como, disse que vai facilitar o acesso ao crédito e à assistência técnica. A expectativa é que essas linhas de trabalho sejam detalhadas em reunião marcada para o dia 17 na capital do estado.
Entre as ações propostas pela Secretaria da Agricultura está o inventário das florestas comerciais existentes, com o mapeamento das áreas plantadas e o estoque futuro de madeira. Além da criação de um programa de incentivo à produção florestal em pequenas e médias propriedades, que contempla apoio à regularização fundiária e ambiental, desenvolvimento do programa de integração lavoura, pecuária e florestas e capacitação técnica.
Para Israel Marcon, vice-presidente regional da Fiesc para a Serra Catarinense, a produção de florestal precisa ser um programa de governo, como já ocorre com as culturas do milho, soja e outras. "A Fiesc está muito preocupada com a situação e cobra alternativas. Esperamos que a reunião do dia 17 aponte soluções para o problema, que se intensificou a partir de 2005, quando baixou muito o ritmo do plantio de florestas."
Marcon avalia que o setor florestal catarinense é muito forte. Empresas de todos os portes estão investindo, mas o plantio de florestas não acompanha esse ritmo, o que deve causar a falta de matéria-prima no futuro. Ele aponta que a redução se deve à questões de mercado, legislação ambiental e uso de mecanização, que é caro e inacessível para muitos.
"Tudo isso criou um grande problema. Teremos falta de matéria-prima. O setor hoje é muito forte, um dos principais exportadores de Santa Catarina, um grande gerador de riquezas e grande empregador e que corre o risco de sofrer sérias consequências em função da escassez de matéria prima," conclui Marcon.
Segundo o analista da Epagri/Cepa, Luiz Toresan, é importante ainda pensar em um modelo para aprimorar o relacionamento entre indústria e produtor, buscando inspirações em outros setores do agronegócio. "Nós precisamos pensar em um modelo que traga mais segurança para o produtor e isso deve ser construído pela indústria pensando no longo prazo. Em 10 anos podemos ter um acréscimo de 50 mil hectares plantados, o que representa um aumento muito significativo", ressalta.
Somente na Serra Catarinense, nos últimos cinco anos, 18 mil hectares deixaram de ser utilizados para a produção de florestas (pinus e eucalipto), área que equivale a 18 mil campos de futebol. No mesmo período, em Santa Catarina, a redução foi de 72,3 mil hectares
Em 2000 situação era semelhante, aponta ACR
Nos anos 2000, o Dólar estava muito valorizado em relação ao Real, as empresas do setor florestal ampliaram a produção para exportar e as reservas de florestas rapidamente se tornaram insuficientes. Atualmente, a situação é muito semelhante, avalia o diretor executivo da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR), Mauro Murara Jr.
Para ele, até alguns anos, havia excedente de matéria-prima. Mas em muitas áreas as florestas foram cortadas e em seu lugar foram cultivadas lavouras de soja e pastagens. "É uma questão de mercado. Para reverter essa situação estamos trabalhando, principalmente, na revisão do Código Ambiental Catarinense, que gera insegurança jurídica para quem investe em florestas."
Murara comenta que as grandes empresas trabalham com estratégias e planejamento a longo prazo e praticamente não serão afetadas pela falta de matéria prima. As demais, que representam cerca de 40% da cadeia produtiva, enfrentarão problemas.
Cuidados no plantio evitam prejuízos
Mauro Murara Jr acredita que o próprio preço da madeira vai incentivar o plantio, mas que esse processo precisa seguir orientação técnica. Caso contrário, o investidor/proprietário terá prejuízos.
Por exemplo, a floresta não pode estar muito longe do consumidor, o que aumentaria muito o custo com frete, o espaçamento entre árvores não pode ser muito pequeno para não prejudicar o desenvolvimento e o material genético (mudas) precisam ser de qualidade. "Antes de plantar, o empreendedor deve definir qual será a finalidade da floresta. Indústria de celulose? Serraria? Chapa? Cada segmento exige um manejo diferente das árvores. A assistência técnica é essencial no processo."

No Brasil
Em 2016, as florestas plantadas no Brasil ocupavam área total de 7,84 milhões de hectares,
compostas principalmente por espécies de Eucalyptus, Pinus e outras (seringueira, acácia, teca, paricá, etc.). A participação do Eucalyptus no total de área florestal plantada
nacional atingiu 72% (5,6 milhões de hectares), seguido pelo Pinus 20% (1,5 milhão
de hectares) e outras espécies com 8% (59 mil hectares). Nos últimos anos, a área plantada com Eucalyptus tem crescido, impulsionada principalmente pelo aumento de plantio realizado pelas indústrias de papel e celulose, principalmente no estado de Mato Grosso do Sul e Maranhão.
Entre 2007-16, a área plantada deste grupo de espécies cresceu 3,4% ao ano, ou seja, cerca de 1,60 milhão de hectares de plantios com Eucalyptus acrescentados à base de florestas plantadas até 2016.

Santa Catarina
Estudo contratado pela ACR e desenvolvido em 2019 pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC-CAV) identifica que o estado de Santa Catarina possui área total com florestas plantadas de 828,9 mil hectares. Desta totalidade, a grande maioria ou 67% (553,6 mil hectares) com Pinus e cerca de 33% (275,3 mil hectares) com Eucalyptus.
O Pinus adaptou-se ao estado de Santa Catarina devido às condições edafoclimáticas serem favoráveis para o seu desenvolvimento. Santa Catarina mantém-se no ranking dos estados com maior área plantada com a espécie.
Porém, o patamar da área plantada com Pinus apresenta tendência de manutenção à queda. Isso se deve principalmente pelos poucos investimentos industriais associados à indústria consumidora deste grupo de espécie no estado. Grande parte da base
florestal plantada de Santa Catarina está concentrada em empresas integradas verticalmente, garantindo o abastecimento de matéria-prima em seus processos industriais.
Os plantios com Pinus e Eucalyptus no estado estão concentrados, principalmente, na região serrana, com destaque para os municípios de Santa Cecília, Lages e Otacílio Costa, que juntos detêm cerca de 90 mil hectares plantados, principalmente com Pinus.
A região Oeste (Caçador) e o Norte do estado (Rio Negrinho e Mafra), também se sobressaem pela grande concentração de plantios florestais.
Compartilhar
Publicidade

Leia também