Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
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Cultura

Padre Vitor lança livro sobre a Igreja na América Latina e a trajetória do papa Francisco

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Padre Vitor lança livro sobre a Igreja na América Latina e a trajetória do papa Francisco

Vitor Hugo Mendes é padre desde 1994 e tem praticado sua missão em Lages, mais especificamente, na Paróquia São Cristóvão, no bairro Cidade Alta. Além da evangelização, a maior paixão do religioso tem sido a Educação e a pesquisa, o que acabou resultando na publicação de diversos livros destinados ao tema, e muito conhecimento.

Após passar cinco anos na Universidade de Salamanca, na Espanha, volta ao Brasil trazendo mais uma obra. Trata-se de "Liberación, un balance histórico bajo el influjo de Aparecida y Laudato si - El aporte latinoamericano de Francisco", escrito em dois volumes, e que será lançado nesta sexta-feira (26), em evento na Igreja de São Francisco de Assis, no Bairro Habitação, em Lages, às 19h30. "Teremos a participação do antropólogo Geraldo Augusto Löcks, que vai coordenar uma mesa sobre a trajetória de participação de uma Igreja ativa e humana", diz Mendes.

Graduado em Ciências Religiosas, Estudos Sociais e Teologia, pós-doutor em Ciências Humanas, pela Universidade Pontifícia de Salamanca, entre outros títulos, o religioso explica que a publicação trata da Igreja na América Latina em dois momentos: o primeiro, nos anos de 1950/1960, quando se inicia o processo popular da Igreja, à luz do Concílio Vaticano II, evento que, de acordo com o religioso, alterou a vida da Igreja entre os anos de 1962 e 1965, culminando com a inserção da Igreja no mundo moderno e provocando a primeira mudança da instituição em 500 anos. "O último grande Concílio foi o de Trento, no século XVI. Na ocasião do Vaticano II, o mundo estava em revolução social, cultura e política. Tinha o Maio de 68, era o tempo dos Beatles, dos hippies. Era o período pós-guerra. Aqui na América Latina, a recepção do Vaticano II foi por meio de um documento chamado de Conferência de Medellín, em 1968. A partir daí, iniciou-se uma grande alteração da Igreja."

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Ainda contextualizando a obra, Padre Vitor destaca que à época, a América Latina vivia um momento de convulsão social, assim como o restante do mundo, dando início a um movimento político para se pensar a independência da América Latina. Processo que ficou conhecido como Libertação Latinoamericana. O livro, explica, "vai narrando toda essa história para falar como a Igreja, a partir dos anos 1960, passou a contribuir nesse processo histórico.

E continua: "O segundo momento da obra surgiu pela necessidade de narrar o fato de que, além dessa caminhada histórica, o continente se destacou por ter elegeu o primeiro papa latinoamiricano: o papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio), da Argentina. E esse papa começou uma outra revolução na Igreja".

O argumento da tese, que está nos dois volumes da obra, é que o papa Francisco 'aporta' a experiência da Igreja na América Latina e, ao mesmo tempo, passa a iluminar, novamente, a trajetória da Igreja na América Latina. "Essa história da Teologia da Libertação e a Igreja dos Pobres, que participaram desse grande movimento histórico da Libertação Latinoamericana, é só uma parte, pois a libertação não foi só a Igreja que inventou; é um processo histórico, mas, em alguns momentos, critão. A Igreja passou a fazer parte desse movimento. O papa Francisco é um representante de toda essa caminhada."

O livro tem um impacto em um conjunto de mais de 1,3 bilhão de pessoas, que é a estimativa da comunidade cristã e a América Latina é considerada uma Igreja nova, já que toda a tradição do cristianismo tem 2021 anos, desde o evento do nascimento de Jesus Cristo. "A Igreja na América Latina tem uma história de apenas 500 anos. Mas, apesar de nova, está no continente mais importante para a Igreja Católica, porque desde os anos 1960, é a única no mundo que tem um secretariado permanente de evangelização. A Europa tem uma conferência que organiza os países daquele continente, mas é periódico. A África está iniciando algo semelhante à América Latina, que tem uma instituição de mais de 60 anos e define a Igreja latinoamericana. Então, o papa latinoamericano leva toda essa experiência para o mundo e, por isso é que se fala da Revolução da Ternura. Porque Francisco retrata essa dimensão de uma Igreja diferente, próxima, que dialoga, que realmente tem uma experiência de sinodalidade: caminhar juntos."

Em sua obra, o autor destaca que o papa Francisco tem alterado a maneira de a Igreja celebrar a participação dos cristãos leigos. Isso acontece, por exemplo, em todos os sínodos (reunião convocada pela autoridade eclesiástica para discutir a Igreja sob diferentes temas) feitos com Francisco, a partir da exigência de uma consulta ao povo de Deus. "Nós não estávamos acostumados com isso."

A história dos dois volumes é essa. Com muitos detalhes, escrito em espanhol, e mais de mil notas de rodapé, inicialmente, estarão à venda na Livraria Diocesana e, futuramente, pela Amazon.

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