Nos anos de 1977 e 1982, durante a Ditadura Militar, o município de Lages, em Santa Catarina, viveu uma experiência singular de administração pública, que estimulou a organização e participação da população. Esse é o tema do filme "Lages, A Força do Povo", da premiada cineasta carioca Tetê Moraes. A obra é o único registro audiovisual do período e será relançado no dia 25 de junho, no Teatro de Bolso do Sesc, com a participação da diretora e de integrantes da antiga administração.
O documentário retrata os projetos desenvolvidos pela administração municipal da época, que teve o arquiteto Dirceu Carneiro, como prefeito de Lages, o médico Celso Anderson de Souza, como vice-prefeito, e uma equipe de diretores e secretários que pensaram Lages de uma forma integrada nas diversas áreas, como educação, saúde, cultura, habitação, agricultura.
Esse importante registro histórico, filmado em 16mm, mídia que não é mais utilizada desde o advento do vídeo, foi recuperado e digitalizado em 2022 pela LinK Digital e Mapa Filmes, empresas especializadas do Rio de Janeiro, sob a coordenação da diretora do filme.
O projeto é o resultado de um esforço conjunto que uniu a Produtora VEMVER BRASIL, da diretora Tetê Moraes, o Instituto Dirceu Carneiro, a articuladora social Daniela Carneiro, o produtor cultural Sérgio Gregório Sartori e a historiadora e jornalista Suzane Faita, para a organização de um financiamento coletivo. Como resultado da ação, mais 120 pessoas fizeram doações que chegaram a 30 mil reais.
O filme também será exibido em Florianópolis, dia 27 de junho no Centro Integrado de Cultura (CIC), às 19h30 e no dia 28 de junho na Assembleia Legislativa de Santa Catariana (Alesc), às 19h.
Sinopse
O filme, lançado em 1983, registra a prática de uma administração municipal com a participação da comunidade na busca de soluções criativas e apropriadas à realidade local. Os protagonistas de Lages são os contadores de causos, músicos, trovadores e artesãos das "mostras do campo", jovens e adultos que participam dos encontros culturais, integrantes das associações de moradores, dos núcleos agrícolas, das hortas comunitárias, agentes de saúde, merendeiras e médicos envolvidos no projeto de medicina comunitária. Além de pessoas que constroem suas casas em mutirão e recolhem doações de materiais, crianças e professores que vivem uma nova pedagogia, pequenos comerciantes que se organizam numa associação, o grupo de teatro de bonecos Gralha Azul e um fazendeiro.
O documentário foi filmado em 1982 e lançado em maio de 1983, com sessões e debates no Rio de Janeiro, São Paulo, Florianópolis e Lages, e, exibido em Cineclubes e Prefeituras em diversos pontos do país, distribuído pelo CTAv, no Rio de Janeiro.
O projeto atual é que o filme participe da festivais e mostras, que continue a ser exibido em cineclubes e associações culturais gerando debates e que seja licenciado por canais e plataformas digitais para que possa ser visto pelo público em geral.





