A realização da 5ª Edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra Catarinense, que se deu entre 11 e 16 de setembro, coincidiu justamente com o período em que chegavam as terríveis notícias sobre as enchentes no Rio Grande do Sul, o ciclone na Líbia e o devastador terremoto no Marrocos. Estas tragédias ambientais e climáticas sensibilizaram ainda mais o tom das conversas e debates promovidos pelo Festival, impactando um público de aproximadamente 3000 pessoas em seus seis dias de realização. Foram mais de 30 sessões em escolas e instituições públicas e espaços culturais nas cidades de Lages, Urupema, São Joaquim e Urubici, exibindo 25 filmes de 11 diferentes países, seguidos de 10 rodas de conversa com a participação de especialistas de diferentes áreas, tais como a historiadora, pesquisadora e produtora audiovisual Suzane Faita, a articuladora comunitária e conselheira do CONDRAF Daniela Carneiro, o professor e doutor em agrossistemas Natal João Magnanti, a educadora e mestra em Ciências Ambientais Denise Paes e mediações do curador Ricardo Braga e do produtor cultural Alan Lobo.
No seu conjunto, o Festival trouxe obras de temáticas contemporâneas que dialogaram com os contextos da região Serrana, tais como, desmatamento, aquecimento global, agroecologia, produção de orgânicos entre outros, além de filmes poéticos e inspiradores que tratam da importância da preservação da natureza, bem como da cultura indígena.
Convidados especiais
Esta 5ª edição trouxe convidados especiais que muito contribuíram e incentivaram o engajamento do público quanto a questão chave em todos os debates: o que fazer para melhorar a relação do homem com seu meio ambiente? Um deles foi o Deputado Marquito do PSOL, que esteve na sessão do IFSC em Urupema debatendo com alunos e professores modelos econômicos de produção de alimentos, justiça social no campo entre outros. Já no Campos da IFSC em Lages as cineastas catarinenses Kátia Klock e Licia Brancher, convidadas para a mesa de debates e com 4 de seus filmes exibidos no Festival deste ano, muito sensibilizaram uma plateia de 120 alunos e inclusive foram homenageadas neste ano pelo FICASC por sua expressiva atuação no cinema ambiental. A participação da produtora rural e ativista agroecológica de Bocaina do Sul (SC), Luci Choinacki, a personagem central do filme `Luci e a Terra”, de autoria de Katia Klock e Licia Brancher, foi também marcante nas sessões no IFSC em Lages, onde debateu sobre a luta da mulher no campo e os desafios da produção rural.
Logística para a democratização do acesso e inclusão social
Além de cerca de 3000 pessoas nas sessões presenciais, o Festival contabilizou 500 acessos aos 11 filmes disponibilizados online pelo site www.ficasc.com.br durante os seis dias de realização. “Toda a logística do Festival foi pensada para atingir o maior número possível de pessoas, não somente da região Serrana, mas também de qualquer lugar do país, explica Doty Luz, diretor do Ficasc. “Presencialmente, levamos o cinema ambiental a 15 diferentes locais de exibições, sendo 8 com acessibilidade, oportunizando assim um festival democrático e inclusivo”, acrescentou.
Neste ano, o público do Festival também foi contemplado com atrações paralelas gratuitas em algumas cidades. Em Lages, o Ficasc realizou uma Oficina de Audiovisual para alunos da Escola Municipal Mutirão, ministrada pelo renomado diretor de cinema Walter Caira e que resultou na produção de 3 curtas metragens de autoria dos próprios alunos. Como parte do Festival, esses 3 curtas foram exibidos no Casarão Juca Antunes, na última sessão do Festival em Lages. Em Urupema, São Joaquim e Urubici o Festival levou a exposição Fotográfica itinerante “Aves de São Joaquim”, do fotógrafo Antonio Amorim Neto. E para a abertura e encerramento do Festival que aconteceram na cidade de Urubici, duas atrações musicais foram realizadas após a exibição dos filmes: uma apresentação de música de câmara do duo Gymnopeduo, no espaço da Cervejaria Traçado e a apresentação de blues do músico Bruno Machado, na Loja-oficina Caras do Sítio. “Estamos muito gratificados com o Festival deste ano, pois em quase todos os locais a adesão do público foi além da nossa expectativa”, comemora Doty.






