Sexta-feira, 16 de outubro de 2026
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Serra Catarinense

Brasil enfrenta risco de 'apagão de professores' nos próximos anos

Atualmente, na rede pública de educação básica, a média é de apenas um professor jovem (com até 24 anos) para cada três profissionais com mais de 60 anos

O Brasil enfrenta risco de falta de professores na educação básica nos próximos anos. De acordo com a 2ª edição da pesquisa Apagão dos Professores, do Instituto Semesp, o número de docentes com até 24 anos no ensino médio caiu 31,1% em dez anos, enquanto os docentes com 60 anos ou mais cresceu 104,5% no mesmo período. 

Atualmente, na rede pública de educação básica, a média é de apenas um professor jovem (com até 24 anos) para cada três profissionais com mais de 60 anos. As projeções indicam um cenário ainda mais grave para o ano de 2040, quando estima-se a proporção de um professor jovem para cada seis docentes idosos.

Esse movimento de envelhecimento do quadro docente é provocado por dois fatores centrais identificados pelo levantamento:

  • Expansão do ensino a distância (EAD): Houve uma alta de 158% nos cursos presenciais e a distância, mas a modalidade EAD atrai predominantemente profissionais mais velhos que já trabalham, fazendo com que 7 em cada 10 formados tenham mais de 30 anos.
  • Desinteresse dos recém-saídos da escola pela docência: A carreira atrai poucos jovens recém-formados devido aos salários mais baixos em comparação com outras profissões de nível superior, além da falta de valorização profissional, de boas condições de trabalho e de perspectivas futuras.

Como consequência, embora as instituições de ensino superior continuem formando professores, esses profissionais chegam mais velhos ao mercado e passam menos tempo em sala de aula até a aposentadoria, o que dificulta a renovação contínua do quadro docente nas escolas.

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Desafios de retenção e o cotidiano escolar

O risco de desabastecimento de professores não decorre apenas da quantidade total de profissionais formados, mas também do desafio de preparar e reter os novos talentos na rede de ensino. Fatores como remuneração, condições de trabalho e o próprio ambiente em sala de aula influenciam diretamente a permanência dos docentes na profissão.

Apesar do contexto adverso, existem trajetórias de dedicação à docência. O professor Felipe Ramos, de 24 anos, leciona educação física e a disciplina de esporte, música e arte (EMA) em uma escola estadual em São Paulo – a mesma instituição onde concluiu o ensino médio como aluno. Atuando há três anos como professor, Felipe relata estar feliz e planeja continuar na carreira no longo prazo, motivado pelo propósito de transformar a vida dos estudantes.

Fonte: band.com.br

Entrevista

Elaine Moraes, Presidente do Sindicato Municipal dos Profissionais em Educação de Lages

Folha da Serra - Segundo a 2ª edição da pesquisa Apagão dos Professores, do Instituto Semesp, o número de docentes com até 24 anos no ensino médio caiu 31,1% em dez anos. A senhora concorda que há um desinteresse pela profissão?

Elaine Moraes - A redução do número de docentes jovens não comprova, por si só, que há desinteresse.... mas acredito que precisamos olhar para a atratividade da carreira docente. Criar condições para que mais jovens escolham e permaneçam na docência. Isso passa pela valorização profissional, pelas condições de trabalho e pelo reconhecimento da importância social do professor.

Quais seriam os principais motivos?

Não podemos atribuir esse cenário a uma única causa. Os desafios do cotidiano escolar exigem cada vez mais preparo, dedicação e apoio aos profissionais. Por isso, é importante fortalecer a parceria entre escola, famílias e sociedade, além de desenvolver estratégias que contribuam para um ambiente de aprendizagem saudável e para o bom desempenho dos profissionais da educação, incentivando novas gerações a enxergarem na docência uma carreira de propósito e transformação.

O comportamento dos alunos em sala de aula contribui para esse fator ou a remuneração tem mais peso na decisão?

Não acredito que seja uma questão de escolher um fator em detrimento do outro. A remuneração é fundamental para a valorização profissional, enquanto o respeito, a disciplina e as condições de trabalho são essenciais para o processo de ensino e aprendizagem. O professor precisa ter condições de exercer seu trabalho com dignidade e segurança.

A impressão é que, nas últimas décadas, o professor teve sua autoridade limitada. Isso é verdade?

Acredito que a autoridade pedagógica do professor precisa ser reconhecida e respeitada, mas isso não significa autoritarismo. O professor deve ter condições de conduzir a aprendizagem e estabelecer limites, com o apoio da família e da escola. Valorizar a educação também significa reconhecer o papel de quem está diariamente em sala de aula.

A boa relação entre o sindicato e a gestão municipal contribui para criar um ambiente mais favorável ao profissional?

O diálogo entre o sindicato e a gestão municipal é importante, mas precisa estar acompanhado de resultados concretos para os profissionais. O papel do Simproel é representar a categoria, apresentar suas reivindicações e defender seus direitos. O diálogo deve existir sempre, sem comprometer a autonomia sindical e o compromisso com os professores.

Dia do Professor

Professor, a profissão que forma todas as outras

O dia 15 de outubro é marcado como o Dia do Professor, criado com o intuito de homenagear esse profissional de tão grande importância no desenvolvimento de todos os seres humanos, pois é ele que alfabetiza e ensina as principais áreas do conhecimento às pessoas, durante sua formação escolar.

Naturalmente, quando falamos do professorado, referimo-nos aos profissionais que participam da formação de uma pessoa, na Educação Infantil, no Ensino Fundamental, no Ensino Médio ou no Ensino Superior. O papel do professor em todas essas etapas é crucial para o desenvolvimento humano.

A data é celebrada em 15 de outubro em referência a d. Pedro I, que, no dia 15 de outubro de 1827, emitiu uma lei sobre o Ensino Elementar. No que se refere ao desenvolvimento da educação no Brasil, essa lei foi considerada um passo muito importante porque tratou dos objetos de estudo dos alunos, definiu que todas as cidades do Brasil deveriam ter Escolas de Primeiras Letras (Ensino Fundamental), e até estipulou o salário dos professores.

Mais de um século depois dessa lei, um professor do estado de São Paulo decidiu utilizar a data 15 de outubro como o momento oportuno para estabelecer um dia de folga a esses profissionais tão atarefados. O idealizador foi Salomão Becker, e de sua ideia se organizou uma confraternização entre professores e alunos.

A proposta de Samuel Becker acabou sendo bem recebida e inspirou outras celebrações do tipo. Em 1948, o Dia do Professor foi oficializado como data comemorativa e feriado no estado de Santa Catarina, e, em 14 de outubro de 1963, por meio do decreto federal nº 52.682, foi criado o Dia do Professor em todo o país.

Podemos perceber, portanto, que o Dia dos Professores se estabelece como feriado escolar, isto é, folga apenas para os profissionais da educação e para os alunos. Além disso, a data é tida como momento para homenagear os professores e reforçar a sua importância para a sociedade brasileira.

Fonte: UOL / Brasil Escola

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